Durante trégua, palestinos enterram os mortos de escola

Cemitério lotado faz com que alguns dos corpos sejam depositados em valas coletivas

AFP, Efe e Reuters, Gaza, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

Depois de 12 dias de bombardeios ininterruptos na Faixa de Gaza, palestinos aproveitaram ontem os 180 minutos de trégua para visitar parentes, comprar alimentos e enterrar os mortos. Centenas de pessoas compareceram a um enterro coletivo no campo de refugiados de Jabaliya, onde mais de 40 palestinos foram mortos na terça-feira em um ataque de Israel contra uma escola mantida pela Organização das Nações Unidas (ONU)."Vingança! Vingança!", gritavam os presentes na cerimônia. Alguns dos mortos tiveram de ser enterrados em valas coletivas porque o cemitério principal do campo estava lotado.Segundo o governo de Israel, o ataque à escola de al-Fakhora ocorreu quando soldados israelenses reagiram a tiros disparados de dentro do prédio. A chanceler Tzipi Livni afirmou que "infelizmente, militantes do Hamas escondem-se entre os civis" e Israel tem buscado evitar a morte de inocentes.No entanto, o diretor das operações em Gaza para a agência de Trabalhos e Ajuda Humanitária da ONU, John Ging, negou as acusações de que militantes islâmicos estariam escondidos na escola no momento do ataque. "A administração da escola e minha equipe experiente de longa data me garantiram que não havia nenhum militante na escola", afirmou Ging em entrevista coletiva.O diretor reiterou pedidos para uma investigação independente do que realmente ocorreu. "Se alguém tiver provas do contrário, então as apresente." John Holmes, outro importante funcionário da ONU que participou da entrevista, afirmou que o número oficial de mortos na ofensiva é de 43 pessoas e 100 feridos.O ataque à escola foi duramente criticado pela comunidade internacional. A União Europeia emitiu comunicado no qual expressava preocupação pelas mortes em Jabaliya. O secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica, Ekmeleddin Ihsanoglu, qualificou o ataque como "crime de guerra".De acordo com os serviços de emergência da Faixa de Gaza, cerca de um terço dos mais de 700 mortos no território palestino é composto por jovens. O chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein, afirmou que do total de mortos, 220 são menores de 16 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.