Duras críticas à Nasa em informe sobre desastre do Columbia

Washington - A destruição do ônibus espacial Columbia e a morte de seus sete tripulantes se deveu a graves falhas da Nasa, entre as quais uma obsessão com o cumprimento de horários, uma acentuada falta de fundos e um programa de segurança desgastado e insuficiente, sentenciou nesta terça-feira uma comissão investigadora. A junta encarregada de investigar o acidente com o Columbia disse em sua ampla análise que as medidas de segurança da agência espacial mudaram pouco desde o acidente com o Challenger em 1986 e que se não houver novas mudanças haverá novas tragédias. A seguir, trechos do relatório emitido na terça-feira pela Junta de Investigação do Acidente do Columbia sobre as causas do desastre com o ônibus espacial em fevereiro: - O ônibus espacial não é inerentemente inseguro.- Análises fotográficas pós-lançamento mostraram que um grande pedaço e ao menos dois pedaços menores da espuma isolante se separaram do Tanque Externo de Combustível 81,7 segundos após o lançamento. Análises posteriores mostraram que o pedaço maior colidiu com a parte inferior da asa esquerda do Columbia 81,9 segundos após o lançamento.- A causa física da perda do Columbia e de sua tripulação foi uma ruptura no Sistema de Proteção Térmica na borda de entrada da asa esquerda. - A Nasa não compreende totalmente os mecanismos que provoca a perda de espuma em quase todos os vôos. - Parece que a destruição do módulo da tripulação aconteceu no decorrer de um período de 24 segundos, começando a uma altitude de aproximadamente 140 mil pés (42.672 quilômetros) e terminando a 105 mil pés (32 mil quilômetros).- Três membros da tripulação não estavam usando luvas e um deles não estava usando capacete. Porém, nessas circunstâncias, isso não afetou a chances de sobrevivência deles.- No nosso ponto de vista, a cultura organizacional da Nasa tem muito a ver com o acidente relacionado à espuma.- Por insistência da Nasa, o país se comprometeu a construir um assombroso, se não comprometido, veículo chamado Ônibus Espacial. Quando a agência fez isso, em troca, aceitou operar e manter o veículo da forma mais segura possível. A Junta não está convencida de que a Nasa tenha cumprido o acordo totalmente, nem que o Congresso e a Administração tenham fornecido os recursos e apoio necessários para a Nasa fazer isso. - O fim da Guerra Fria, no final da década de 80, resultou na perda do mais importante alicerce político do Programa de Vôo Espacial Humano da Nasa -- a concorrência dos Estados Unidos com a União Soviética.- A agência não conseguiu obter aumentos de orçamento durante a década de 90. Em vez de ajustar suas ambições a esse novo estado de coisas, a Nasa deu continuidade à um programa ambicioso de ciência e exploração espaciais, incluindo o dispendioso Programa da Estação Espacial. - No decorrer da década de 90, o Programa do Ônibus Espacial teve que funcionar dentro de um orçamento cada vez mais restrito. Tanto o orçamento do Ônibus quanto a força de trabalho foram reduzidas em mais de 40% na década passada. A Casa Branca, o Congresso e a diretoria da Nasa exerceram constante pressão para que se reduzisse ou congelasse os custos operacionais. Como resultado, o orçamento deixou pouca margem para se lidar com problemas mecânicos inesperados ou para fazer melhorias no Ônibus Espacial. - Estragos causados por fragmentos ocorreram em todos os vôos do Ônibus Espacial, e a maioria das missões apresentaram separação de espuma isolante durante a subida. Isso levanta uma pergunta óbvia: por que a Nasa continuou a voar um ônibus espacial com um problema conhecido que violava as especificações do projeto?- Durante a missão, enquanto o golpe dos fragmentos estava sendo avaliado, a comunicação não fluiu eficazmente no sentido ascendente nem descendente a partir dos administradores do programa. À medida que se tornou claro, durante a missão, que os administradores não estavam tão preocupados quanto os outros com o perigo representado pelos golpes da espuma, a capacidade dos engenheiros de contestar essas crenças diminuiu grandemente. A tendência dos administradores para aceitar opiniões que concordassem com suas próprias gerou uma barreira no fluxo de comunicações eficazes.

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