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Duras restrições marcam início da grande peregrinação a Meca

De máscara e respeitando o distanciamento, os peregrinos caminharam em fila ao redor da Caaba, observados por policiais e por outros agentes oficiais

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2020 | 15h32

MECA - Os fiéis muçulmanos selecionados para o hajj iniciaram nesta quarta-feira, 29, a grande peregrinação a Meca, na Arábia Saudita, em um formato restrito devido à pandemia do novo coronavírus, que obriga os participantes a respeitarem uma quarentena antes e depois do ato religioso.

Em pequenos grupos, cada um com um guia, os fiéis começaram o ritual e deram sete voltas na Caaba ou Pedra Negra, a construção cúbica que fica no centro da Grande Mesquita de Meca, de acordo com imagens exibidas ao vivo por canais de televisão sauditas.

De máscara e respeitando o distanciamento, os peregrinos caminharam em fila ao redor da Caaba, observados por policiais e por outros agentes oficiais.

Depois, percorreram sete vezes o trajeto entre Safa e Marwa, duas rochas perto da Caaba, seguindo os passos de Hajar, a mulher do profeta Abraão.

O comandante da força especial da Grande Mesquita, Yahia al-Akil, declarou que os rituais aconteceram "em tempo recorde e com total fluidez".

Os peregrinos devem comparecer posteriormente a Mina, a cinco quilômetros ao leste da Grande Mesquita, para passar a noite e depois celebrarão um dia de orações e invocações no Monte Arafat, o grande momento do hajj.

"É um sentimento indescritível", declarou um peregrino egípcio, Mohammed Ibrahim, de 43 anos. "É como um sonho".

Entre mil e 10 mil peregrinos residentes no reino participam do hajj este ano, de acordo com as autoridades locais e a imprensa saudita, um número ínfimo em comparação com as 2,5 milhões de pessoas que compareceram ao ritual em 2019.

A peregrinação é um dos cinco pilares do islã, que todos os fiéis devem cumprir pelo menos uma vez na vida desde que tenham os recursos.

"Não temos preocupações relacionadas com a segurança este ano e devemos proteger os peregrinos dos perigos da pandemia", declarou o diretor de Segurança Pública, Khaled bin Qarar al-Harbi.

Os peregrinos foram submetidos a controles de saúde e colocados em quarentena quando chegaram a Meca no fim de semana.

Devido à pandemia de covid-19, este ano os peregrinos não poderão tocar na Caaba, advertiram as autoridades, que instalaram clínicas móveis e posicionaram ambulâncias nas imediações.

Quase 70% dos peregrinos são residentes estrangeiros no reino, que registra 270 mil casos de infecção do novo coronavírus, uma das taxas mais elevadas do Oriente Médio.

Processo transparente

Este ano, a imprensa estrangeira não foi autorizada a cobrir o evento, que tem alcance mundial. A Arábia Saudita anunciou que apenas mil peregrinos residentes no país poderiam participar da peregrinação este ano. De acordo com a imprensa local, porém, o número pode chegar a 10 mil.

A seleção foi objeto de críticas, mas o ministro do Hajj, Mohamed Benten, insistiu na transparência do processo e destacou que o critério determinante foi "a proteção da saúde" dos participantes.

"Não esperava ser abençoado entre milhões de muçulmanos", disse o peregrino Abdullah al-Kathiri, dos Emirados Árabes, que foi selecionado.

De acordo com o Ministério do Hajj, residentes estrangeiros, procedentes de 160 países, apresentaram solicitações pela internet.

Apesar da pandemia, alguns fiéis consideram que a peregrinação será mais segura desta vez, sem as grandes multidões que, a cada ano, representam um pesadelo logístico e um grande risco de acidentes fatais.

De modo geral, cada peregrino desembolsa milhares de dólares, mas este ano o governo saudita cobre a maior parte dos gastos, incluindo alojamento e refeições, segundo várias fontes.

A pandemia pode ter um forte impacto econômico na Arábia Saudita, onde o turismo religioso gera a cada ano quase US$ 12 bilhões.

A covid-19 provocou em março a suspensão da "umra", a "pequena peregrinação", que atrai dezenas de milhares de fiéis todos os meses.

As restrições ligadas à peregrinação deste ano devem aprofundar a crise econômica, de acordo com analistas. A Arábia Saudita enfrenta a forte queda nos preços do petróleo, provocada pela redução expressiva da demanda mundial, assim como as consequências da pandemia./AFP 

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