AP Photo/Ahn Young-joon
AP Photo/Ahn Young-joon

Duterte diz não gostar de nomear mulheres para cargos importantes do governo

Presidente das Filipinas, que disse preferir os homens, declarou: 'tenho muitas exigências'; Duterte já esteve envolvido em outras situações consideradas machistas, sexistas e misóginas

O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2018 | 04h26

MANILA - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, disse não gostar de nomear mulheres para os cargos importantes do seu governo.  Durante um discurso em Davao, sua cidade natal, na noite de sexta-feira, 22, ele declarou: "Prefiro os homens, pois tenho muitas exigências".

O presidente disse se sentir "desconfortável" ao mandar mulheres cumprirem certas tarefas, como, por exemplo, "ir de repente até Marawi", cidade onde no ano passado uma batalha sangrenta foi travada durante cinco meses entre o Exército e jihadistas ligados ao Estado Islâmico (EI), capitaneado pelo grupo Maute.

"Você pode pedir isso para uma mulher, forçá-la essa situação?", manifestou Duterte, que já declarou vários comentários considerados sexistas, misóginos ou depreciativos em relação às mulheres.

De acordo com o presidente filipino, de 73 anos, há cargos oficiais mais adequados para as mulheres do que para os homens. "Estou mais acostumado aos homens. Mas há certos postos, como a pasta de Turismo, que são adequados para as mulheres", disse.

O gabinete de Duterte atualmente inclui cinco mulheres, que são responsáveis pelos departamentos de Turismo, Educação e Bem-estar Social, assim como na Comissão contra a Pobreza e na Comissão Nacional dos Muçulmanos.

+ Presidente filipino diz que renunciará se mulheres protestarem contra ele

+ Nas Filipinas, fé católica se mostra tolerante aos gays

O presidente filipino, conhecido pelos seus frequentes discursos fora de tom, já foi autor de outras situações consideradas sexistas e misóginas. No início do mês, Duterte pressionou uma mulher casada a beijá-lo na boca durante um ato público com a comunidade filipina, em Seul. Em fevereiro deste ano pediu aos militares que "atirassem nas vaginas das guerrilheiras comunistas para que não pudessem procriar".

No passado, chegou a fazer piada o sobre o caso de uma freira australiana estuprada e assassinada em 1989 e, em outro discurso, ofereceu "42 virgens para cada turista que visitasse as Filipinas". /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.