Dúvidas cercam pior massacre a tiros da história dos EUA

A polícia e a administração da Universidade Virginia Tech são pressionadas nesta terça-feira, 17, para explicar como um homem armado conseguiu escapar depois de matar duas pessoas e prosseguiu com o ataque a tiros, matando mais 30 ao longo de duas horas, no pior ataque desse tipo na história dos Estados Unidos. O homem, que ainda não havia sido identificado pela polícia, suicidou-se numa sala de aula da universidade depois de ter aberto fogo contra alunos e funcionários na manhã da última segunda-feira, 16, num ataque aparentemente premeditado. A polícia afirmou que ao que tudo indica ele usou correntes para trancar as portas e impedir as vítimas de fugir do prédio. Quinze pessoas ficaram feridas, entre elas estudantes que pularam das janelas para escapar do ataque. Muitos estudantes disseram-se revoltados por não ter sido avisados do perigo por mais de duas horas depois do primeiro ataque, que aconteceu num alojamento de alunos. Mais tarde o aviso veio, mas apenas na forma de um e-mail enviado pela universidade. "Sabíamos que tinha havido tiros mas achávamos que a coisa estava limitada a um lugar específico", disse a repórteres o reitor da universidade, Charles Steger, para explicar a falta de medidas de emergência como a retirada dos estudantes do campus, freqüentado por mais de 25 mil alunos. Embora tenha dito inicialmente que em princípio havia apenas um atirador, a polícia não quis confirmar se os dois incidentes estavam relacionados. As fontes policiais disseram que havia um homem envolvido no primeiro ataque, contra um casal de estudantes no alojamento, mas que essa pessoa não estava presa. "Não estou dizendo que haja um atirador à solta", disse o chefe da polícia do campus, Wendell Flinchum, quando questionado se a polícia havia perseguido a pessoa errada. Início do ataque Os primeiros tiros foram informados à polícia do campus por volta das 7h15 (8h15 pelo horário de Brasília) no West Ambler Johnston Hall, um alojamento onde moram 900 estudantes. Duas horas mais tarde, a 800 metros dali, houve o segundo ataque, no Norris Hall, onde ficam as faculdades de ciências e engenharia. Testemunhas disseram que o atirador era um homem asiático de cerca de 1,80 m, que sem dizer uma palavra foi de classe em classe atirando nos estudantes e funcionários. "As vítimas tinham ferimentos de vários tiros, até as menos feridas tinham vários tiros. O cara estava lá para matar todo mundo com quem tivesse contato, não só para atirar. Ele queria matar", disse Joseph Cacioppo, médico do pronto-socorro que atendeu os feridos. A imprensa de Israel afirmou que um dos mortos era um professor de engenharia israelense, Liviu Librescu. O filho de Librescu disse à rádio do Exército de Israel que o pai tentou bloquear a porta da classe e orientou os estudantes a fugir. As imagens dos estudantes apavorados e da polícia tirando as vítimas do prédio reavivaram as lembranças do massacre na escola de Columbine, em 1999, e trouxeram de volta os debates sobre a regulamentação do porte de armas no país. Mais de 30 mil pessoas morrem vítimas de tiros nos Estados Unidos por ano. Mas o lobby das armas é poderoso e sempre conseguiu impedir qualquer tentativa de limitação no direito ao porte de armas. Esse lobby encarou o massacre de segunda-feira como uma prova de que está certo. "Todos os massacres em escolas que foram contidos nos últimos dez anos só pararam porque algum cidadão - uma vítima em potencial - tinha uma arma", disse Larry Pratt, diretor-executivo da organização Proprietários de Armas dos EUA. "O ataque na Virginia Tech requer o fim imediato da lei sobre as zonas sem armas, que deixa as escolas da nação à mercê de malucos." Num editorial na edição de terça-feira, o The New York Times atacou a liberalidade do porte de armas. "O que é necessário, com urgência, são controles mais rígidos sobre armas letais que causam carnificinas tão sem sentido e perdas tão devastadoras."

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