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Helio Gurovitz
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É a imigração, estúpido!

Que ninguém tenha dúvida. O que levou o eleitor britânico a votar pela saída da União Europeia (UE) foi a rejeição aos imigrantes. Desde a abertura das fronteiras da UE, em 1993, o número de estrangeiros no Reino Unido cresceu de 3,8 milhões para 8,3 milhões, quase 13% da população. Dos forasteiros, 3,3 milhões têm passaporte europeu. Só poloneses são 900 mil. Mais de três quartos dos britânicos defendem a redução na imigração, vista como questão central para o país, segundo um estudo da Universidade de Oxford. Não foi à toa que, com ataques a muçulmanos, romenos e poloneses, o populismo chauvinista de Nigel Farage, do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), capturou a agenda do plebiscito. A discussão sobre a racionalidade econômica ficou em segundo plano diante da xenofobia.

Helio Gurovitz, O Estado de S. Paulo

26 Junho 2016 | 05h00

 

Britânicos sem passaporte

A saída do Reino Unido da UE não deixará ao léu apenas os mais de 3 milhões que moram lá com seu passaporte europeu. Mais de 1,2 milhão de britânicos expatriados vivem e trabalham em países da Europa, sobretudo Espanha, Irlanda, França e Alemanha.

Bancos sem passaporte

Não está claro como o Brexit afetará os “direitos de passaporte” que permitem a todo banco da City londrina operar para clientes de toda a Europa. Passam hoje por Londres algo como 70% das transações de derivativos em euros e 90% da corretagem dos principais fundos europeus. Londres perderá um bom quinhão.

Pesquisas sem passar perto

Depois do plebiscito pela independência da Escócia, em 2014, e das eleições de 2015, mais uma vez os institutos de pesquisa britânicos passaram vergonha. Deram na boca de urna vitória da permanência na UE por margens de 4% e 8%. Uma avaliação do British Polling Council, em 2015, não detectou má-fé, mas erro de amostragem. Eles desistem, na pressa, de ouvir os eleitores mais resistentes a responder. Pesquisa que só ouve quem quer falar fica enviesada.

Contra Trump! Contra Hillary!

Na convenção deste fim de semana, em Orlando, o Partido Libertário deverá escolher Gary Johnson como candidato. Em 2012, ele obteve 1% dos votos. Agora, graças à rejeição a Hillary Clinton e Donald Trump, duas pesquisas lhe dão 10%. O último azarão a atingir tais níveis foi Ross Perot, nos anos 1990.

Alerta para o terror nuclear

Em seu novo livro autobiográfico, William Perry, ex-secretário de Defesa de Bill Clinton e veterano de seis décadas de política nuclear, faz um alerta. Vislumbra um ataque terrorista com uma bomba atômica improvisada, que destrói Casa Branca, Pentágono e mata 80 mil pessoas - um risco, para ele, infelizmente ainda “distante da consciência pública global”.

A NRA tem tanto poder?

Depois do atentado em Orlando, nova proposta para regular armas foi barrada no Senado. Defensores de mais controle acusam a National Rifle Association (NRA) de gastar milhões em lobby pró-armas. É verdade que a NRA doou, em 2014, US$ 1 milhão a campanhas ao Senado. Mas elas arrecadaram US$ 67 milhões ao todo. Senadores rejeitam controlar armas por motivo mais simples: seus eleitores rejeitam.

Perseguição ao jornalismo

A Columbia Journalism Review investigou a indústria especializada em desacreditar jornalistas na internet, financiada por corporações atingidas por reportagens. Cita casos recentes: Dune Lawrence, da Bloomberg, o independente Roddy Boyd, ex-New York Post, e Jane Mayer, da New Yorker e autora de livro sobre a influência dos bilionários Charles e David Koch na ascensão do Tea Party.

Le Pin >Petrus

No leilão promovido pela família Koch, duas garrafas tamanho magnum de Le Pin 1995 foram vendidas por US$ 30 mil. O Le Pin é hoje o vinho mais caro do mercado. A garrafa comum sai em média por US$ 2.035, ante US$ 1.921 do Petrus, diz o site FiveThirtyEight. O crítico Robert Parker sentiu no Le Pin 1995 aromas e sabores de noz torrada, lápis de grafite, fumaça, cerejas e framboesas negras, chocolate branco, cola, kirsch e bolo de frutas.

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