Andrew Harnik/AP
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É hora de encerrar a guerra mais longa dos EUA, diz Biden ao confirmar saída do Afeganistão

Em um discurso na Casa Branca, Biden estabeleceu uma meta de retirar todos os 2,5 mil soldados americanos remanescentes no Afeganistão até o dia 11 de setembro, com saída começando em 1º de maio

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 17h03
Atualizado 14 de abril de 2021 | 21h08

WASHINGTON - O presidente americano, Joe Biden, declarou nesta quarta-feira, 14, que planeja encerrar a guerra mais longa dos Estados Unidos e é hora de as tropas americanas no Afeganistão "voltarem para casa". Ele disse que pretende assim encerrar 20 anos de envolvimento militar dos EUA no país, mesmo que críticos alertem que a paz ainda não foi assegurada. A informação foi antecipada por funcionários de seu governo na terça-feira

Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também concordaram em iniciar a retirada de suas tropas do Afeganistão em 1º de maio, em um processo que deve ser concluído em "poucos meses", anunciou a aliança transatlântica em um comunicado.

Em um discurso na Casa Branca, Biden estabeleceu uma meta de retirar todos os 2,5 mil soldados americanos remanescentes no Afeganistão até o dia 11 de setembro, com saída começando em 1º de maio. Retirando-se sem uma vitória clara, os Estados Unidos se abrem a críticas por uma possível admissão de falha. 

"Agora sou o quarto presidente americano a presidir um presença de tropas americanas no Afeganistão. Dois republicanos. Dois democratas", disse Biden."Não vou passar essa responsabilidade para um quinto. É hora de acabar com a guerra mais longa da América. É hora de as tropas americanas voltarem para casa."

"Acredito que nossa presença no Afeganistão deve se concentrar no motivo pelo qual fomos em primeiro lugar: garantir que o Afeganistão não seja usado como base para atacar nossa pátria. Cumprimos esse objetivo", disse ele.

A data de 11 de setembro é altamente simbólica, uma vez que marca 20 anos dos ataques da Al-Qaeda aos Estados Unidos que levaram o então presidente George W. Bush a lançar o conflito. A guerra custou a vida de 2,4 mil militares americanos e consumiu cerca de US$ 2 trilhões. O número de tropas americanas no Afeganistão atingiu o pico de mais de 100 mil em 2011

Em um encontro com oficiais da Otan em Bruxelas mais cedo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que as tropas estrangeiras sob o comando da Aliança no Afeganistão também deixarão o país em coordenação com os EUA para a saída em 11 de setembro. Sua declaração foi dada depois que a Alemanha afirmou que combinaria esses planos com os americanos. 

Blinken também conversou por telefone com o chefe do Exército do Paquistão sobre o tema e discutiu o processo de paz, de acordo com uma declaração da ala de mídia dos militares paquistaneses. 

O presidente afegão, Ashraf Ghani, escreveu no Twitter que ele falou com Biden e respeita a decisão dos EUA. Ghani adicionou que "trabalharemos com nossos parceiros dos EUA para garantir uma boa transição" e que seu governo continuará a trabalhar com os "parceiros EUA e a Otan nos esforços de paz em curso".

Cúpula sem Taleban

O presidente democrata lidava com um prazo de saída para 1º de maio, definido por seu antecessor republicano, Donald Trump, que tentou, mas não conseguiu retirar as tropas antes de deixar o cargo. A decisão de Biden manterá as tropas no Afeganistão além desse prazo, mas as autoridades sugeriram que os soldados poderiam partir totalmente antes de 11 de setembro.

Uma cúpula sobre o Afeganistão está planejada para 24 de abril em Istambul, que incluirá as Nações Unidas e Catar. O Taleban, afastado do poder em 2001 por forças lideradas pelos EUA, informou que não participaria de nenhuma reunião sobre o Afeganistão até que todas as forças estrangeiras tivessem partido do país. 

O porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, instou na quarta-feira os Estados Unidos a aderirem ao acordo alcançado com a administração Trump. "Se o acordo for cumprido, os problemas restantes também serão resolvidos", escreveu Mujahid no Twitter."Se não, os problemas certamente aumentarão."/REUTERS e AFP 

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