David McNew/AFP
David McNew/AFP

É hora de os democratas se unirem contra Trump

É de suma importância olhar para além da disputa intrapartidária e focalizar a que vem em novembro

Jay Carson / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2016 | 22h03

Perdemos. E eu estava certo de que meu partido cometera um enorme erro. Minha candidata poderia, na verdade, ter mais votos que o cara que nós, democratas, estávamos para indicar candidato: inexperiente e, acreditava eu, inelegível.

Quem já saiu derrotado de uma campanha presidencial pode dizer como a experiência é excruciante. Sei do que estou falando – perdi três, incluindo a de 2008, que julgávamos imperdível: Hillary Clinton versus Barack Obama. Eu era, aos 31 anos, secretário de imprensa de Hillary. 

Perder é massacrante. Se você for membro da equipe, estará imediatamente desempregado. Como membro da equipe ou simpatizante incondicional, ficará desapontado e com raiva. Eu quis gritar que Hillary teria sido a indicação certa. Mas, para minha surpresa, Obama ganhou tranquilamente, vencendo em Estados em que os democratas não ganhavam havia gerações. E, embora não concorde com tudo o que ele fez, suas duas presidências foram das mais bem-sucedidas em muito tempo.

As apostas hoje são bem mais altas. Diferentemente do senador John McCain, candidato republicano em 2008, Donald Trump é perigoso. E não se enganem: Trump pode ganhar. 

O papel do senador Bernie Sanders nesta campanha foi valioso – levantou temas importantes e entusiasmou milhões de novos eleitores. Ganhou o direito de competir nas primárias que restam e ficar até a convenção – como Hillary fez em 2008. Mas Sanders não será o indicado democrata. Deixemos que ele chegue de cabeça erguida ao fim da disputa, mas esperemos que ele se abstenha de ações que possam prejudicar a indicada e ajudar Trump.

Assim, digo a todos da equipe de Sanders que acham que seu candidato é o certo e seu adversário: eu entendo. Mas, por favor, não deixem a raiva levar o melhor de vocês. As consequências de fazer qualquer coisa que ajude Trump a vencer serão catastróficas. 

Compreendo que, no momento, vocês não adorem (ou mesmo gostem de) Hillary. Talvez não consigam se imaginar indo de porta em porta pedindo doações para financiar sua campanha. Entendo que vocês não queiram fazer. Senti-me do mesmo modo em relação a Obama em 2008. No fim, não trabalhei duro para elegê-lo (o que lamento profundamente hoje). Mas pelo menos não fiz ou disse nada que pudesse reduzir suas chances. Aceitei que ele era o indicado de meu partido e poderia ser presidente. 

Na ocasião, escrevi um artigo que achei moderado o suficiente para alguém se interessar em publicar. Mostrei-o à única pessoa de cuja bênção, senão elogios, eu precisava – Hillary Clinton. Sua resposta foi clara e inequívoca: não o mande a ninguém. A corrida acabou. Lutamos o melhor que pudemos, mas perdemos, disse ela. 

Sei como são difíceis de entender – mais ainda, de aceitar – essas lições sobre a derrota. No entanto, é de suma importância que olhemos para além dessa disputa intrapartidária e focalizemos a que vem em novembro. 

Entendo a raiva de perder e sei que vocês podem ainda não adorar Hillary. Ela será, contudo, a candidata do Partido Democrata. É a única coisa entre nós e um presidente Trump. Isso deveria ser suficiente para deixarmos para trás nossas diferenças e nos concentrarmos em ajudá-la a ganhar. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

É ROTEIRISTA DE CINEMA E 

EX-VICE-PREFEITO DE LOS ANGELES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.