É imperativo equipar a Otan

Cúpula do fim de semana, em Chicago, precisa ressaltar a necessidade da aliança de adquirir capacidades adequadas

É SECRETÁRIO-GERAL DA OTAN, ANDERS FOGH, RASMUSSEN, THE NEW YORK TIMES, É SECRETÁRIO-GERAL DA OTAN, ANDERS FOGH, RASMUSSEN, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h43

Como secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), viajo com frequência a Washington. Sempre que o faço, ouço vozes expressando preocupação com a partilha do fardo na aliança atlântica. O recado é claro: os europeus não fazem o bastante.

Este ponto de vista não representa um panorama completo da situação. Como europeu, sempre admirei os EUA que tanto fizeram para salvar meu continente da tirania no século 20. Também me orgulho do fato de, após o 11 de Setembro, no momento de necessidade vivido pelos americanos, a Europa tenha respondido com a invocação da cláusula de autodefesa da Otan. E todos os aliados europeus colocam-se lado a lado com os EUA no Afeganistão, onde fazem significativas contribuições tanto humanas quanto financeiras.

Os europeus têm partilhado o fardo da segurança conjunta sob muitos outros aspectos. Na Bósnia e em Kosovo, onde a Otan interveio para impedir frequentes violações dos direitos humanos. Na Líbia, onde os aliados europeus proporcionaram a liderança e a maior parte do material bélico envolvidos na operação da Otan que tinha como objetivo proteger os civis de ataques.

Neste fim de semana, mais de 60 representantes da Otan se reunirão em Chicago para a maior reunião de cúpula da história da aliança. Ao concordar em desenvolver as capacidades necessárias, os europeus continuarão a trabalhar lado a lado com os EUA, tanto na Europa quanto além.

É por isso que, em Chicago, vamos estabelecer a meta para as "Forças da Otan 2020" - modernas, móveis e interligadas que possam atuar em conjunto em qualquer ambiente e realizar operações complexas e coordenadas com agilidade e prontidão, equipadas com o conjunto mais adequado de capacidades militares. Nossa operação na Líbia foi um poderoso lembrete de quais são essas capacidades. Elas incluem munições teleguiadas de alta precisão, reabastecimento aéreo, serviços de informações, vigilância e reconhecimento.

No momento, os orçamentos de Defesa estão sofrendo acentuados cortes em toda a aliança, de modo que a aquisição de tais capacidades só será possível por meio de ideias inovadoras.

Por mais que haja uma disparidade entre os gastos militares nos EUA e na Europa, o importante não é apenas o valor investido, e sim a forma como o dinheiro é investido. Ao compartilhar recursos e capacidades, poderemos fazer mais com aquilo de que dispomos. Essa é a essência de uma nova abordagem chamada "Defesa Inteligente".

Permita-me apresentar um exemplo. Em nossa última reunião, em Lisboa, os aliados concordaram em desenvolver uma defesa contra mísseis para proteger as populações europeias da Otan, seus territórios e forças. Tal capacidade, agora, torna-se concreta.

A contribuição americana para a defesa antimísseis da Otan é vital. Mas os europeus estão partilhando o custo e proporcionando recursos importantes. Trata-se de um verdadeiro trabalho de equipe: aliados europeus e americanos trabalhando juntos para tornar nossos países mais seguros. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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