E-mail de ex-assessor prova que Gonzales mentiu

Um e-mail divulgado nesta sexta-feira, 13, mostra que o secretário de Justiça, Alberto Gonzales, propôs a substituição de procuradores federais um ano antes de eles serem demitidos, afirma o jornal americano The New York Times. O e-mail foi escrito por Kyle Sampson, ex-assessor de Gonzales, em janeiro de 2006. Os destinatários eram Harriet Miers, assessora do presidente dos EUA, George W. Bush, e William Kelley, um advogado da Casa Branca. O documento é a primeira prova de que o Departamento de Justiça planejou as demissões, que começaram no dia 8 de dezembro de 2006. A notícia complica a situação de Gonzales, que até então afirmava que os procuradores haviam sido demitidos por incompetência. O próprio Sampson também está contra a parede, já que admitiu em depoimento dado ao Congresso que ninguém no Departamento de Justiça havia cogitado de substituir os procuradores antes das demissões. O e-mail de Sampson foi descoberto entre a gigantesca documentação, que continua sendo enviada pelo Departamento de Justiça ao Congresso, contendo e-mails trocados por funcionários do governo. O que ainda não ficou claro para os congressistas é porque os documentos não foram entregues antes e onde estão os e-mails enviados nos dias que antecederam as demissões, já que existe uma lacuna de 16 dias na documentação enviada ao Congresso. Apesar do grande volume de mensagens trocadas durante o ano, quase não há e-mails entre 16 de novembro e 7 de dezembro, um dia antes de começarem as demissões. Na quinta-feira, os democratas intimaram o Departamento de Justiça a enviar a documentação completa, mas ficaram sabendo que, provavelmente, as mensagens foram apagadas. ?Talvez elas tenham sido apagadas?, disse Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, segundo o periódico americano.?Isso não existe. Tem um garoto de 10 anos na minha rua que pode recuperar esses e-mails?, respondeu, irônico, o democrata Patrick Leahy. Os democratas, que querem a demissão de Gonzales, acusam o secretário de esconder deliberadamente as provas do envolvimento da Casa Branca nas demissões. Gonzales deve depor no Congresso na terça-feira.

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