E-mails sobre jornalista sumido acabam em prisão

Ainda sem informações seguras sobre o destino do jornalista Daniel Pearl, do ?The Wall Street Journal?, que foi seqüestrado no Paquistão dia 23, o ministro do Interior paquistanês, Moinuddin Haider, informou hoje a prisão de três pessoas - uma em Lahore, no leste do país, e outra na capital, Islamabad - relacionadas com os e-mails enviados na sexta-feira a jornais americanos. Um dos correios eletrônicos enviados naquele dia informava que o jornalista, de 38 anos, tinha sido morto pelo Movimento Nacional pela Restauração da Soberania do Paquistão. Outra mensagem, destinada ao Consulado dos EUA em Karachi, afirmava que o grupo exigia US$ 2 milhões de resgate e a libertação do ex-embaixador do Taleban no Paquistão Abdul Salam Zaeef em troca da liberdade de Pearl. Ambas as mensagens foram consideradas falsas. "Temos razões para acreditar que Daniel Pearl ainda está vivo e estamos empreendendo todos os esforços para encontrá-lo", declarou o ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Abdul Sattar. A existência do grupo foi revelada na semana passada, quando fotos de Pearl acorrentado e sob a mira de seus seqüestradores foram enviadas a jornais e redes de TV americanos. Sob a ameaça de assassinar o jornalista, os radicais exigiram, além da libertação de Zaeef, a repatriação de todos os prisioneiros paquistaneses capturados no Afeganistão e transferidos para a base militar americana de Guantánamo, na Ilha de Cuba. Além de tentar rastrear a origem dos e-mails, a polícia paquistanesa interroga, em vários pontos do Paquistão, suspeitos de envolvimento com o seqüestro. Um desses suspeitos é o líder de uma pequena organização de militantes islâmicos Mubarak Ali Sha Gilani, que seria entrevistado por Pearl em Karachi, sul do país. No sábado, outras dez pessoas foram detidas e interrogadas mas a maioria delas já tinha sido liberada hoje. "Detivemos alguns suspeitos, que estão prestando depoimento e estão tendo seus computadores verificados", informou um dos responsáveis pela investigação, Manzur Mughal. "Mas ainda não há ninguém formalmente indiciado por esse caso." Investigadores paquistaneses também passaram a trabalhar com a hipótese de que o jornalista tenha sido sequestrado por criminosos comuns em busca de resgate. Em Washington, a conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, exigiu que Pearl seja posto em liberdade imediatamente e o caso se resolva o mais rápido possível.

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