É muito perigoso ser sindicalista na Colômbia

A Colômbia é o lugar mais perigoso do mundo para o trabalho organizado em sindicatos, responsável por quase três quartos dos 209 sindicalistas mortos ou desaparecidos no ano passado em todo o mundo, de acordo com um relatório lançado nesta terça-feira. Em sua pesquisa anual de violações dos direitos dos sindicatos, a Confederação Internacional dos Sindicatos Livres (CISL) afirmou que o número de sindicalistas mortos ou desaparecidos na Colômbia mais do que dobrou no ano passado, chegando a 153. "Sindicalistas são freqüentemente alvos de ataques não apenas de paramilitares e guerrilheiros, mas também das autoridades e dos empregadores", afirma o relatório, acrescentando que "o Estado não mobilizou os recursos necessários para implementar os efetivos programas de proteção". Em todo o mundo, de acordo com a CISL, o número de sindicalistas mortos ou desaparecidos foi 50% maior do que em 1999. Além disso, o relatório afirma que cerca de 8,5 mil pessoas foram detidas por causa de atividades sindicais, 3 mil ficaram feridas e 20 mil perderam seus empregos. Sublinhando os perigos da Colômbia, o líder sindicalista mineiro Gustavo Soler foi encontrado morto no último domingo, perto de Jagua de Ibirico, a 570 quilômetros ao norte de Bogotá. Segundo a polícia, Soler, de 39 anos, recebeu dois tiros vindos de paramilitares suspeitos. Ele era presidente do sindicato dos trabalhadores da empresa multinacional Drummond e substituía os antigos presidente e vice-presidente da agremiação mortos em março. Ao lado da Colômbia, o relatório da CISL salientou o desrespeito aos direitos sindicais na Guatemala, Venezuela, Costa Rica, China, Coréia do Sul, Suazilândia, Zimbábue, Bielo-Rússia, Baharain, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. De acordo com o documento, nesses países os direitos dos sindicatos estão entre "os mais prejudicados".

Agencia Estado,

09 Outubro 2001 | 21h02

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