''''É o começo do fim das Farc''''

Para analistas, guerrilha pode não se recuperar de golpe

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2008 | 00h00

A morte de Raúl Reyes, porta-voz e número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), é um golpe do qual a guerrilha pode não conseguir se recuperar. "Esse é o começo do fim", afirmou ao Estado, por telefone, Alfredo Rangel, diretor da Fundação Segurança e Democracia, em Bogotá. "A partir de agora, as Farc serão desmoralizadas e terão sua capacidade de combate desestruturada", disse. "O número de deserções deve aumentar e as Farc terão dificuldade para recrutar guerrilheiros."O analista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia, disse que o ataque que resultou na morte de Reyes tem um grande impacto moral dentro da guerrilha. "O ataque mostrou que ninguém está seguro, nem mesmo a cúpula das Farc", afirmou. Vargas explicou que a ação do Exército colombiano mostra que a estratégia adotada pelo governo do presidente Álvaro Uribe, de combinar o serviço de inteligência com o combate em terra, está funcionando. "A vantagem no conflito está agora do lado das Forças Armadas, que dominam uma tecnologia que a guerrilha não tem." No entanto, o analista alerta que é errado pensar que essa vantagem dá ao Exército a possibilidade de derrotar as Farc militarmente.Os dois analistas acreditam que a guerrilha não deve fazer retaliações contra o grupo de 40 reféns políticos em seu poder. "O que é esperado são retaliações contra o Estado colombiano, e não contra os seqüestrados, pois algo do tipo poderia deteriorar ainda mais a imagem das Farc fora do país", afirmou Rangel. "Antes de escolher o sucessor de Reyes, a guerrilha não terá capacidade para confrontações contra o Exército, mas não podemos descartar a possibilidade de atos terroristas", disse Vargas.Tanto Rangel quanto Vargas afirmam que o provável sucessor de Reyes será Iván Márquez, membro do secretariado das Farc, por suas relações próximas com a Venezuela e França. Márquez encontrou-se em novembro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Na ocasião, os dois discutiram um possível encontro com o líder máximo da guerrilha, Pedro Antonio Marín - conhecido como Manuel Marulanda.BASES NAS FRONTEIRASA morte de Raúl Reyes no Equador confirma a especulação de que as Farc têm bases fora da Colômbia. "É bem provável que existam acampamentos das Farc em todos os países com os quais a Colômbia faz fronteira", disse Vargas."Não podemos descartar a possibilidade da presença das Farc na fronteira brasileira, pois o local, com selva intensa e pouco povoado, torna-se apropriado para os guerrilheiros."

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