É o nascimento de uma nova ameaça de extrema direita?

Se os ataques na Noruega tiverem realmente sido o trabalho de um grupo militante de extrema direita, a Europa estará diante da possibilidade de ver o nascimento de uma nova ameaça paramilitar, uma década após o 11 de Setembro. Um analista chegou a qualificar os atentados de o "momento Oklahoma City da Europa", em referência ao radical de direita Timothy McVeigh, que em 1995 matou 168 em um dos ataques mais cruéis da história dos EUA.

William Maclean, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

Forças policiais na Europa têm se preocupado com a crescente ameaça da extrema direita, alimentada por uma retórica anti-Islã e anti-imigração. A violência, porém, raramente havia escalado para além de ataques de gangues e uso de facas. "A próxima pergunta é "ele agiu sozinho?"", questionou Hagai Segal, especialista da Universidade New York, de Londres.

A notícia surpreendeu muita gente. Um relatório de 2010 da Europol, a agência europeia de polícia, concluiu que não havia indícios de terrorismo de extrema direita no continente. Estudos apontam que a atividade ultradireitista se intensificou na Europa nos últimos anos. O movimento de extrema direita tornou-se mais profissional, organizado e ativo ao produzir propaganda na internet, principalmente de conteúdo antissemita e xenófobo. Desse modo, são capazes de disseminar sua ideologia e representar uma ameaça para os países da União Europeia.

Se a primavera árabe, especialmente no Norte da África, continuar aumentando o fluxo de imigrantes para a Europa, extremistas de direita e terroristas podem ganhar um novo sentido e articular novas ações, aumentando a apreensão pública sobre a imigração de muçulmanos para o continente.

É JORNALISTA DA REUTERS

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