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Moisés Naím
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E o que mais aconteceu?

Síria, Ucrânia, Gaza, Iraque, Estado Islâmico, Ebola. A lista é longa. Mas durante o trágico verão (no hemisfério setentrional) de 2014 houve outros acontecimentos que, embora chamassem menos a atenção, poderiam ser tão importantes quanto as notícias que dominaram a TV e os periódicos. Alguns deles são mudanças inesperadas, enquanto outros revelam tendências que, a se manterem, terão consideráveis consequências.

MOISÉS NAÍM, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2014 | 02h03

1. Caiu o preço do petróleo. O preço do petróleo chegou ao seu patamar mais baixo em um ano. As guerras no Oriente Médio e na Ucrânia e as graves sanções impostas à Rússia deveriam ter provocado o seu aumento. Mas não foi assim. Graças ao aumento da produção nos EUA, em julho foi registrado o maior volume de bruto do mundo desde 1987. Por outro lado, a fraca atividade econômica mundial não gera tanta demanda de energia como antes. A combinação de mais oferta e menos demanda pressiona os preços para baixo. Se essas tendências se mantiverem, mudarão o mundo.

2. A pior seca em 106 anos. O oeste dos EUA, o México e a América Central há três anos registram uma chuva extraordinariamente escassa e a situação se tornou crítica. O verão foi assolado por acidentes climáticos extremos.

3. A freada econômica europeia. Neste verão ficou confirmado que a lenta recuperação das economias europeias foi interrompida. Chegamos à conclusão de que durante a primeira metade do ano, a atividade econômica declinou na Alemanha e na Itália e estancou na França. Nem todas as notícias foram ruins. Na Espanha, a economia continua crescendo e o Banco Central Europeu tomou medidas para estimular as economias da zona do euro. Entretanto, lamentavelmente, ao mesmo tempo, reapareceu na Europa o fantasma da deflação: uma queda crônica do nível de preços que, combinada a altos níveis de endividamento, resulta muito perigosa. Uma vez que se cai nesta armadilha, é difícil sair dela.

4. Quem é Federica Mogherini? A partir de novembro, ela será chefe da política externa europeia. Quando assumir o cargo, Federica, nomeada em agosto, negociará em nome da Europa. Também dirigirá o Conselho Europeus e o Serviço Europeu de Ação Exterior. Qual é sua principal credencial? Ter sido ministra do Exterior da Itália por seis meses. Antes disso, nenhuma experiência. Analistas concordam que ela não está qualificada para o cargo. Concordam ainda que sua nomeação confirma que os países europeus não estão interessados em ter uma política internacional comum.

5. Acidente aéreo. Com o acidente de 13 de agosto que matou Eduardo Campos, candidato à presidência do Brasil, Marina Silva substituiu-o e as pesquisas indicam que ela poderá derrotar Dilma. Se isso acontecer, é provável que poderá acabar a cega solidariedade que Lula e Dilma têm com os governos latino-americanos que minam a democracia e violam os direitos humanos.

É ESCRITOR VENEZUELANO E MEMBRO

DO CARNEGIE ENDOWMENT

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