'É preciso pensar na Itália, não em si'

Eleito senador para representar a América do Sul no Parlamento italiano, o brasileiro e descendente de italianos Fausto Longo (Partido Democrático) disse ao Estado que os líderes da Itália precisam entender o recado das urnas. O resultado eleitoral foi inconclusivo e criou um impasse na formação do governo. O recém-eleito senador pretende levar ao Parlamento italiano as demandas da América do Sul, mas também quer ajudar a "devolver credibilidade para as instituições" do país europeu. A seguir, trechos da entrevista:

Entrevista com

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2013 | 02h08

Qual será o seu primeiro passo no Parlamento italiano?

Sentar com as lideranças da coalizão de centro-esquerda. Este não é um mandato só meu, é um mandato do partido, então quero ouvir deles quais serão os comprometimentos. Precisamos tentar achar soluções para as demandas na América do Sul, das pessoas que nos elegerem.

Como o senhor vê o impasse político após as eleições?

Como um dos 315 senadores eleitos, tenho a preocupação de devolver estabilidade, credibilidade para as instituições republicanas da Itália. O país atravessa um momento delicado e terei de me envolver na busca de soluções para resgatar a estabilidade econômica e política do país. Há um grupo da sociedade que votou em Bersani, outro no Berlusconi, outro no Beppe Grillo e um que votou no Monti. O equilíbrio foi tão grande que esse é o recado a ser entendido: os líderes desses partidos precisam sentar na mesma mesa e pensar na Itália e não cada um em si.

E o voto antipolítico?

Os 25% das pessoas que deram esse voto de protesto não podem ser desconsiderados. Eles estão dizendo 'reformulem a política'. O papel do Grillo agora seria entender o voto que ele teve, sentar no Congresso e ajudar a construir a reforma pedida por aqueles que votaram nele. Por outro lado, temos uma questão mais grave: a não participação no processo eleitoral. Dos italianos que tinham direito de votar, 45% não compareceram. O não voto é mais grave do que o voto de protesto, pois demonstra a perda da credibilidade da sociedade no processo político.

E como o senhor pode contribuir para melhorar a situação econômica na Itália?

Somos 80 milhões de ítalos-descendentes espalhados pelo mundo. Se todos pudessem visitar a Itália, por exemplo, o turismo, que é um dos principais produtos italianos, seria muito valorizado. É uma economia forte que você pode gerar.

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