REUTERS/Leah Millis
REUTERS/Leah Millis

'É um pouco cafona para mim', explica Trump ao quebrar tradição de ter cachorro na Casa Branca

Republicano é o primeiro presidente em mais de um século de tradição a não manter um cachorro na presidência

Redação, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2019 | 17h27

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, o primeiro em mais de um século de tradição a não ter um cachorro na Casa Branca, finalmente explicou na noite da segunda-feira, 11, o motivo de não ter um cão como animal de estimação: “Parece um pouco cafona para mim”.

A explicação foi feita a apoiadores durante discurso em El Paso. O presidente havia acabado de comentar as habilidades dos pastores alemães de farejar drogas na fronteira com o México. “Vocês amam seus cachorros, não é?”, disse. “Eu não me importaria em ter um, honestamente, mas não tenho tempo. Como eu passearia com um cachorro no gramado da Casa Branca?”

Os apoiadores que estavam sentados aparentemente gostaram da ideia, já que se levantaram e o aplaudiram de pé. Mas Trump não ligou. “Eu não sei, não me sinto bem”, afirmou. “Parece um pouco cafona para mim.” 

O republicano acrescentou que muitas pessoas o aconselharam a ter um cão porque cairia bem politicamente, mas ele não sentiu necessidade porque “não é essa a relação que tenho com o meu povo.”

A digressão sobre as figuras caninas reacendeu um antigo debate sobre se Trump é o raro ser humano que odeia cachorros. Desde o presidente William McKingley (que começou o mandato em 1897), todos os ocupantes da Casa Branca, com exceção do atual, tiveram um cachorro em algum momento. Mas, como diversas outras convenções políticas, Trump jogou a tradição pela janela quando tomou posse.

Houve ao menos uma tentativa de convencer Trump a adotar um cão, sem sucesso. Um mês depois de eleito, a filantropista Lois Pope tentou dar a ele um adorável Goldendoodle chamado Patton, dizendo que “faz parte da presidência”. Ela contou ao jornal americano The Washington Post que havia mostrado a foto do animal a Barron Trump, então com 10 anos, e a imagem levou o menino às lágrimas. Mas isso foi há mais de dois anos e Trump continua sem cachorro.

Histórico

Nomear um “primeiro-cachorro” é uma maneira fácil de ganhar publicidade positiva, já que os peludos são universalmente populares com o eleitorado. Enquanto presidentes, desde George Washington, mantêm cachorros como animais de estimação, a popularização da fotografia no século 20 fez dos caninos figuras nacionalmente celebradas.

Historiadores apontam que a primeira celebridade foi Laddie Boy, um Airedale Terrier do presidente Warren G. Harding com cadeira especial própria em encontros do gabinete e “anfitrião” de uma festa na Casa Branca em 1923.

Em 2016, aparições públicas e ensaios de fotos de Bo e Sunny, da raça cão d’água português, adotados pela família Obama, estiveram com a procura tão alta que o casal tinha de ter uma agenda oficial própria.

“Os beagles de Lyndon Johnson foram capa da revista Life em 1964, proporcionando uma rápida trégua na cobertura sobre os direitos civis e a Guerra do Vietnã”, escreveu em 2016 em coluna de opinião no Post a analista política Lauren A. Wright. “Até hoje, um livro escrito em primeira pessoa na voz da springer spaniel de Barbara Bush, Millie, vendeu mais que as memórias tanto da ex-primeira-dama quanto do ex-presidente George H. W. Bush.”

Mas antigos presidentes também parecem ter aproveitado genuinamente passar tempo com as suas companhias caninas como um jeito de lidar com as pressões do trabalho estressante e cansativo.

“Donald não era um fã de cachorros”, escreveu Ivana Trump, a primeira mulher, em seu livro de memórias, Raising Trump, de 2017. Segundo ela escreveu, ele viveu por pouco tempo com o poodle dela, Chappy, depois que ela disse “sou eu e Chappy ou nenhum dos dois”. Mas a coabitação forçada não funcionou: sempre que Trump chegava perto do guarda-roupas da mulher, o cão “latiria para ele territorialmente”.

Por outro lado, na noite de segunda-feira, Trump mostrou alguma admiração por pastores alemães. Esses cães, disse, são “inacreditáveis. Eles correm por todas essas caixas vazias e uma delas tem drogas, bem no fundo. E eles dão um chiado alto, latindo para ela o tempo todo”.

O presidente acrescentou que ele perguntou aos produtores de detecção de drogas como o produto deles é comparado a cachorros treinados para a mesma tarefa. “O cara me olha e diz, ‘Senhor, honestamente, não é tão eficaz’”, conta Trump à plateia. “Podem acreditar? Pastores alemães.” / THE WASHINGTON POST

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