E-vote diz não ter vínculos econômicas ou políticas no Equador

O presidente da empresa brasileira E-vote, Paulo Martins, disse nesta quarta-feira que sua empresa, contratada para a apuração rápida dos votos das eleições de domingo no Equador, não tem vinculações econômicas ou políticas no país.A demora da E-vote em entregar os resultados das eleições para presidente, vice-presidente e deputados fez com que membros do movimento Aliança País, que lançou Rafael Correa como candidato à Presidência, levantassem suspeitas sobre uma suposta tentativa de fraude.Martins descartou rumores sobre uma possível vinculação econômica da E-vote com um dirigente social-cristão, e também os comentários de um dirigente da Aliança País insinuando que a empresa quis beneficiar a candidatura presidencial de Álvaro Noboa."Isso é mentira, não temos vinculação com ninguém na política do Equador", disse Martins, ao ser perguntado sobre os rumores pela televisão "Teleamazonas".Martins também disse que outra empresa, subcontratada para trabalhar nas eleições, também não tem vinculação com políticos no Equador, nem os funcionários que trabalharam para a E-vote.O próprio Rafael Correa disse nesta quarta à Efe que pelo menos uma das empresas subcontratadas pela E-vote no Equador tem vinculação com o Partido Social Cristão (PSC).Contrato anuladoO chefe da E-vote afirmou que não receberam oficialmente a comunicação do Tribunal Supremo Eleitoral sobre a rescisão unilateral do contrato, anunciada na segunda-feira pela imprensa.O presidente do tribunal, Xavier Cazar, disse à imprensa que rescindiu o contrato com a E-vote porque esta não cumpriu seu compromisso de entregar os resultados finais da apuração rápida poucas horas depois do fechamento da votação, no domingo.Martins disse ainda nesta quarta-feira que, além dos problemas tecnológicos que tiveram durante o processo, o tribunal também não cumpriu a entrega de todas as atas de presidentes, o que dificultou ainda mais seu trabalho.Também se queixou de que o Tribunal Superior Eleitoral não lhes entregou os formatos das atas a tempo para adaptá-las ao software, e que as linhas telefônicas para a comunicação dos dados falharam.O presidente da E-vote disse que terminou a apuração de todas as atas que o Tribunal lhe entregou - apenas 90% do total - na terça-feira, mas disse que não pôde divulgar o resultado porque é proibido por lei.A Promotoria de Quito entrou nos escritórios da E-vote na terça-feira para investigar a denúncia de uma suposta fraude digital na apuração rápida de votos.O advogado independente Stalin Raza abriu um processo contra a empresa brasileira, a quem acusa de fraude digital, e pediu que a Promotoria investigue os escritórios para averiguar as causas da paralisação da apuração rápida de votos na segunda-feira de madrugada.O procurador da província de Pichincha, Washington Pesántez, solicitou na terça-feira ao juiz penal Jaime Santos que dê uma ordem impedindo de deixar o país contra Santiago Murray, representante da empresa brasileira, e de seus colaboradores mais próximos.Pesántez também pediu ao juiz que ordene o embargo de todos os bens da empresa brasileira no país, para investigar se existem indícios suficientes de uma suposta fraude digital.A última apuração da E-vote, que pode ser acessada no site do Tribunal Superior Eleitoral, dava a Noboa, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian) 26,67% e a Correa, 22,49%, com 72,25% das urnas apuradas.De acordo com a apuração parcial do Supremo Tribunal Eleitoral, Noboa tinha 26,32% e Correa, 23,15%, com 87,45% dos votos emitidos no domingo já apurados.

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