Ronald Zak/AP
Ronald Zak/AP

Ecologista derrota candidato de extrema direita na Áustria

Van der Bellen foi eleito por pequena margem; potências veem resultado com alívio em meio à ascensão de líderes radicais

Andrei Netto, Correspondente / PARIS, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2016 | 19h09

A União Europeia respirou aliviada ontem após a divulgação do resultado das eleições presidenciais na Áustria, vencidas pelo ecologista Alexander Van der Bellen, que derrotou o líder de extrema direita Norberto Hofer, do Partido da Liberdade da Áustria. Mas a apuração, a mais apertada da história do país, resultou em um país dividido – com 50,3% dos votos, o novo chefe de Estado recebeu apenas 31 mil votos a mais que seu adversário. Em Bruxelas, Paris e Berlim, apesar da derrota dos radicais, o resultado apertado ainda preocupa.

O drama da eleição austríaca mobilizou as atenções do mundo político na Europa. Incapaz de indicar o vencedor na votação no domingo, quando Hofer ainda estava 144 mil votos à frente de Van der Bellen – 51,9% a 48,1% –, a comissão organizadora teve de esperar pela apuração dos 740 mil votos enviados por correio, que representavam 14% do eleitorado. O resultado foi uma virada espetacular anunciada nesta segunda-feira, quando o líder de extrema direita reconheceu a derrota pelo Facebook. “Obrigado pelo apoio. Por favor, não desanime. Essa campanha eleitoral não foi perdida; é um investimento no futuro.”

Hofer havia sido o grande vencedor do primeiro turno em 24 de abril, somando 35% dos votos, contra 21% de seu adversário. A vitória de Van der Bellen ocorreu com um custo elevado: a profunda divisão do país, um dos mais afetados pela crise dos refugiados em 2015 – que levou mais de um milhão de estrangeiros, a maioria sírios, iraquianos, afegãos e paquistaneses, à Alemanha, em muitos casos cruzando o território austríaco. Cerca de 90 mil pessoas acabaram se radicando na Áustria, um país de menos de 9 milhões de habitantes. 

“Aprendi durante a infância que podemos ser muito diferentes e mesmo assim vivermos juntos. Vou tentar ganhar a confiança dos eleitores de Hofer”, disse Van der Bellen após a vitória. 

A estratégia do Partido da Liberdade da Áustria, de Hofer, foi a de evitar assuntos mais polêmicos de sua plataforma, como a xenofobia, concentrando-se na queda do poder aquisitivo da população, em especial do meio rural.

O cientista político Jean-Yves Camus, diretor do Observatório das Radicalidades Políticas da Fundação Jean-Jaurès, de Paris, acredita que, ainda que a função presidencial seja protocolar na Áustria, o governo terá de adotar políticas mais restritivas sobre refugiados. “Haverá uma restrição drástica do número de imigrantes na Áustria”, disse. 

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