Economia britânica emite sinais preocupantes

Além de tentar conter a crise política criada pela sua determinação de atacar o Iraque, o primeiro-ministro Tony Blair tem sido obrigado a enfrentar os crescentes temores de que a economia britânica está apresentando uma performance aquém do previsto justamente por causa da possibilidade de uma guerra no Golfo.A crescente possiblidade de uma conflito no Iraque, as divisões internas no governo geradas pelo apoio de Blair aos Estados Unidos e sucessivos dados econômicos negativos fizeram que a Bolsa de Valores de Londres atingisse nessa semana os seus níveis mais baixos dos últimos sete anos. Com o mercado acionário em apuros, é crescente a preocupação com a saúde financeira dos bancos e seguradoras do país.Poucos acreditam que a previsão do governo de crescimento econômico para este ano, entre 2,5% e 3% do PIB, será alcançada. Analistas da City apostam que o crescimento ficará mais próximo dos 2%. Os últimos indicadores mostram uma substancial queda nas vendas no varejo do país. Ao longo do ano passado, o forte consumo estava sendo um fator importante na manutenção do vigor da atividade econômica. Segundo Bill Moyes, o diretor do British Retail Consortium, entidade que reúne varejistas, os consumidores estão apertando os cintos por causa da ameaça de guerra. "O boom no setor de varejo acabou", disse.O efeito da desvalorização da libra esterlina, cuja cotação nesta semana atingiu o seu nível mais baixo dos últimos quatro anos, é objeto de leituras conflitantes. Para alguns, a desvalorização da moeda ajudará as exportações britânicas, que sofreram nos últimos anos as consequências de um câmbio forte. Para outros, será mais um fator, aliado à alta do petróleo, que irá corroer o poder de compra da população.

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