Economia da Cisjordânia vive bom momento

A combinação de reformas da Autoridade Palestina, alívio de bloqueios militares israelenses e aumento da ajuda internacional tem impulsionado a economia da Cisjordânia nos últimos dois anos. Segundo a ONU, o PIB palestino cresceu 6,8% em 2009 e analistas do FMI já falam em um salto de até 11% para 2010.

, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Um bom exemplo dessa melhora são as ruas com lojas de roupas do centro de Ramallah, onde mulheres de véu se acotovelam na calçada com garotas de blusinhas. "Esse movimento apareceu há pouco tempo", diz o taxista Ayman Raouf. "Na segunda intifada (levante palestino), quem andava por aqui eram os tanques de Israel."

Entre palestinos da Cisjordânia, o símbolo do crescimento tem um nome: Salam Fayyad, o primeiro-ministro de 58 anos, com Ph.D. em economia nos EUA, ex-funcionário do Banco Mundial (BM) e FMI, que ganhou fama como tecnocrata desvinculado dos tradicionais clãs e partidos de Ramallah.

Indicado para comandar a máquina do "proto-Estado" palestino em 2007, depois que Hamas e Fatah se enfrentaram na Faixa de Gaza, Fayyad buscou eliminar milícias, enxugar a burocracia, conter a corrupção e incentivar doadores internacionais. Bem quisto em Washington, conseguiu apoio para pressionar Israel a reduzir bloqueios que estrangulavam a economia.

Segundo a ONU, porém, a falta de um Estado palestino e a ocupação israelense ainda custam caro para a Cisjordânia e, principalmente, para Gaza. As restrições impostas por Israel "inibem as verdadeiras potencialidades da economia palestina", afirma um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgado duas semanas atrás. Há dez anos, o PIB per capita nos territórios era 30% maior.

Fayyad concorda que suas reformas, ao final, têm alcance limitado. "Temos de alcançar nossa liberdade e isso não será feito pela via da economia. A questão é política."

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