Economia de Santa Cruz já sente efeitos de conflitos

Como conseqüência dos bloqueios de estradas bolivianas, intensificavam-se ontem os sinais de escassez de alimentos e gás de cozinha em Santa Cruz. "Tive de ficar a manhã inteira numa fila para comprar gás", disse Juana Mari Paredes, dona de um mercado no centro da cidade. "O pior é que depois de três horas, só me venderam um botijão e porque disseram que havia começado um racionamento."Desde de a meia-noite de ontem, partidários do presidente boliviano, Evo Morales, também começaram a bloquear rotas de acesso a Santa Cruz. A medida foi tomada em retaliação aos violentos protestos promovidos por membros da oposição no departamento.De acordo com o jornal de Santa Cruz El Deber, o abastecimento de frutas também está prejudicado. Dos 30 caminhões que normalmente abastecem o principal mercado da cidade, apenas seis conseguiram entregar o produto na região. "Falta tudo e amanhã (hoje) corremos o risco de não receber nada por causa dos protestos", disse uma vendedora de frutas, que não quis se identificar.Outra reclamação da população é sobre a falta de gasolina e óleo diesel. Segundo motoristas de táxi de Santa Cruz, os combustíveis estão em falta na cidade. No entanto, a reportagem do Estado não registrou fila em nenhum posto de abastecimento e a venda de combustíveis parecia normal.O presidente da Câmara de Comércio Bolívia-Brasil em Santa Cruz, Hugo Añez, afirmou que, daqui para frente, a escassez de produtos deve piorar. "Esses protestos estão estragando o comércio entre nós e os brasileiros", disse Añez. Para ele, o presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, deve tentar solucionar o impasse. "Lula precisa precisa pressionar Evo para resolver suas diferenças com a oposição para que o problema não se alongue."Manifestantes que bloqueavam o acesso ao Aeroporto Internacional de Viru-Viru admitiam que os protestos podem atrapalhar principalmente a região, além do restante do país. "Sabemos que o que estamos fazendo é prejudicial para a população, mas é a única maneira de pressionar o governo para que respeite os direitos do povo", afirmou Alberto Arteaga, um dos opositores que participavam do bloqueio. "O comércio está sofrendo, mas depois Santa Cruz se recuperará", disse Martín Hurtado, outro dos manifestantes.A oposição a Evo exige a restituição de um imposto sobre os hidrocarbonetos (gás e petróleo) que era repassado ao governo local, mas foi confiscado por La Paz para a criação de uma pensão para idosos. Além disso, os opositores querem o reconhecimento das autonomias departamentais e afirmam ser contra o projeto de nova Constituição - aprovado pelo governo no ano passado.

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