Efe
Efe

Economia debilitada pressiona campanha chavista

Desvalorização, escassez de produtos e inflação dos alimentos devem obrigar Maduro a elevar gastos públicos

O Estado de S. Paulo,

06 de março de 2013 | 19h45

CARACAS - Às vésperas de uma nova campanha presidencial, o chavismo terá de driblar problemas macroeconômicos cada vez mais graves para garantir uma nova vitória nas urnas. O desabastecimento de produtos nos supermercados do país é o mais alto desde 2008. A desvalorização do bolívar em relação ao dólar no começo do mês passado ainda não aliviou a pressão sobre o câmbio paralelo e a inflação deve aumentar com o encarecimento dos produtos básicos importados.

A alternativa que o governo deve adotar no curto prazo, segundo economistas venezuelanos, é voltar a inflar os gastos públicos para injetar dinheiro na economia e amenizar a sensação de escassez. Para isso, o presidente interino, Nicolás Maduro, conta com os recursos provenientes do barril de petróleo cotado acima de US$ 100, que com a desvalorização do câmbio fixo - de 4,3 bolívares por dólar para 6,3 bolívares - elevou a liquidez em moeda local.

Segundo o índice de escassez do próprio governo venezuelano, de cada 100 produtos procurados nos supermercados no país, 20,4 estavam indisponíveis - o nível mais alto desde janeiro de 2008. A inflação anual nos 12 meses encerrados em janeiro chegou a 22,51%. Só os alimentos, nos últimos dois meses, subiram 11%.

A rede de proteção social chavista depende amplamente de alimentos subsidiados a preços irrisórios, comercializados por meio da rede de supermercados estatais Mercal. "O problema para a campanha do governo é como assegurar que, aumentando os gastos, a população vá às compras e encontre produtos nos mercados. Pela alta na demanda, a escassez e a inflação podem subir ainda mais", disse o economista Asdrúbal Oliveros, da consultoria Econanalítica, ao jornal El Universal.

Esse desequilíbrio, de acordo com economistas críticos ao governo, tem origem nos meses que antecederam a última eleição de Chávez, em outubro. Os gastos públicos e as importações aumentaram, disparando o consumo, o que criou um déficit de divisas em moeda estrangeira. O buraco foi coberto com a emissão de títulos da dívida e recursos das reservas em dólar. A moeda americana tornou-se escassa e sua cotação no câmbio paralelo disparou exponencialmente. Sites na internet, que há um ano avaliavam o dólar em 9 bolívares, o cotam hoje a 25 bolívares.

Para contornar o problema, a moeda foi desvalorizada. O excedente de recursos em moeda local, a princípio, corrigiria o déficit fiscal que, segundo estimativas não oficiais, estaria perto de 15%. Como efeito colateral, no entanto, a desvalorização encarece e aumenta a inflação dos produtos importados.

"O plano do governo de controlar as importações ficará para depois. Agora devem aumentar a distribuição de divisas para assegurar o abastecimento. Não vai resolver tudo, mas deve cortar os níveis de escassez para 15% durante a campanha", acrescentou o economista.

O petróleo representa cerca de 90% da renda do Estado venezuelano, mas a produção caiu 19% desde que Chávez assumiu o poder, em 1999.

Com informações da Efe

 
Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaHugo ChávezNicolás Maduro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.