Economia do Quênia entrará em crise se distúrbios continuarem

A reeleição do presidente do Quênia,Mwai Kibaki, significa a continuidade para o país, mas aeconomia poderá sofrer caso os distúrbios recorrentes daseleições continuem, disseram analistas. O presidente Mwai Kibaki tomou posse às pressas no domingo,uma hora depois que a Comissão Eleitoral do Quênia (ECK, nasigla em inglês) declarou-o vencedor das eleições. A oposiçãoafirmou que a votação foi fraudulenta, e protestos violentos seseguiram. "Dada a controvérsia que acompanhou o anúncio dosresultados pela Comissão eleitoral do Quênia, e o surgimentodos distúrbios, é improvável que o mercado respire aliviado",disse Razia Khan, economista da África no Standard CharteredBank. "A curto prazo, se os protestos não diminuírem, o xelim(moeda local) deverá sofrer pressões", disse ela. A economia do Quênia deu uma virada depois que Kibakiassumiu o poder em 2002. O crescimento era de apenas 0,6 porcento ao ano e começou a ter uma alta constante desde então,devendo se expandir para 7 por cento este ano. Analistas acreditam, entretanto, que o economista eex-ministro das Finanças de 76 anos terá dificuldades, daqui emdiante, de governar o país e aprovar novas leis. O principal opositor do governo, o Partido DemocráticoLaranja, do candidato à Presidência Raila Odinga, terá cerca dametade dos deputados do Parlamento. "Uma vitória de Kibaki garantirá a continuidade daspolíticas, mas o governo enfrentará obstáculos políticostremendos no Parlamento", disse Philippe de Pontet, analista doEurasia Group, dos Estados Unidos. Economistas dizem que o governo de Kibaki permitiu que asempresas privadas tivessem a necessária liberdade para seexpandir. Mas eles dizem que o crescimento poderia ter sido aindamaior se o governo tivesse combatido a corrupção, gasto eminfra-estrutura e atacado a criminalidade, fatores negativospara o investimento estrangeiro. "Kibaki vai se concentrar na criação de um legado", disseum analista econômico, que preferiu não ser identificado. "Masserá difícil para ele governar" por causa do número dedeputados de oposição. PROTESTOS VIOLENTOS A maior parte dos bares e lojas permanece fechada nasprincipais cidades desde o início da votação, na quinta-feira,que foi marcada por protestos violentos e saques, causados poralegações de fraude eleitoral e contagem de votos caótica. Os piores incidentes aconteceram na favela de Nairóbi, queOdinga representa no Parlamento, e na região eleitoral deKisumo, controlada pela oposição. Mas analistas dizem que aviolência poderá se espalhar para o resto do país. A comunidade de negócios do Quênia disse no domingo que opaís perderia 2 bilhões de xelins (31,5 milhões de dólares) emimpostos por dia devido aos distúrbios.

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