Economia é o desafio de Obama no 2º mandato

Presidente toma posse com agenda voltada para criação de empregos e dívida pública

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2013 | 02h06

O presidente dos EUA, Barack Obama, começa hoje seu segundo mandato. Em discreta cerimônia na Casa Branca, jurará a Constituição com a mão sobre a Bíblia recém-restaurada de Martin Luther King. No segundo mandato, ele terá o desafio de combater o desemprego, o déficit fiscal, aprovar uma reforma de imigração, restringir o acesso a armas e concluir a retirada do Afeganistão.

A posse protocolar - com juramento no Congresso, discurso, almoço, parada pela Avenida Pensilvânia até a Casa Branca e dois bailes - será amanhã. A Constituição define as posses para o dia 20 de janeiro. Quando a data cai num domingo, a formalidade é transferida para o dia seguinte. Amanhã, Obama usará a Bíblia de outra figura emblemática, a do presidente Abraham Lincoln.

Especialistas avaliam que a plena recuperação da economia americana, após a crise financeira de 2008 e a recessão que se seguiu, é o maior desafio de Obama. A queda na taxa de desemprego, ainda perto de 8%, é a prioridade, ao lado da estabilização da relação entre a dívida federal e o PIB, hoje de quase 100%.

A face mais visível desse desafio já tem data marcada. O governo tem até meados de fevereiro para concluir as negociações com a oposição republicana sobre a elevação do teto da dívida pública, sob pena de ser obrigado a suspender os pagamentos da dívida e outras obrigações pela primeira vez na história.

No final de fevereiro, vence o prazo para o acordo sobre os cortes nos gastos federais, sem o qual o governo será obrigado a cortar US$ 560 bilhões em despesas sociais e de defesa até 2022. Para Robert Pastor, diretor do Centro de Estudos Americanos, da American University, a negociação com os republicanos continuará difícil, a exemplo do que ocorreu nos últimos dois anos, quando o partido ganhou maioria na Câmara.

Thomas Mann, analista do Brookings Institution, acredita ser insustentável a oposição republicana manter sua estratégia de bloquear ou impedir a aprovação de projetos da Casa Branca. "Eles perderam a aposta em 2012 e agora terão de pensar muito bem como podem se reabilitar politicamente", avalia.

Obama igualmente pediu pressa ao Congresso na tramitação de medidas de controle de armas, anunciadas na semana passada, depois de cinco massacres durante seu governo. No entanto, ele enfrenta, nesse campo, resistência até mesmo da base democrata.

A reforma de imigração, promessa de campanha engavetada nos últimos quatro anos e mencionada como prioridade logo depois da reeleição, pode ter um resultado surpreendentemente positivo no Congresso.

De acordo com Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue, o tema está na agenda do segundo mandato porque tanto republicanos como democratas foram intimidados pelo peso eleitoral dos latino-americanos em 2012. "Obama praticamente ignorou a América Latina em seu primeiro mandato e não mencionou a região durante sua campanha para a reeleição", disse Hakim.

Inovação. Outros desafios serão criar uma agenda de energia e de meio ambiente, cumprir com a retirada das tropas do Afeganistão até dezembro de 2014 e evitar que o Irã se torne uma potência nuclear.

Aaron Miller, ex-negociador do governo americano no Oriente Médio e analista do Woodrow Wilson Center, acredita que Obama, inevitavelmente, terá de se desdobrar por um acordo de paz entre israelenses e palestinos, uma agenda que não recebeu sua atenção nos primeiros quatro anos de mandato.

Elaine Kamarck, especialista em políticas públicas da Universidade Harvard, diz que Obama deverá se mostrar mais ativo em política externa. "A política externa vai pressionar a agenda americana nos próximos quatro anos", afirmou.

Obama ainda não terminou de construir um legado para destacá-lo na história americana. Para Pastor, o pacote de estímulo econômico e a reforma do sistema de saúde não foram suficientes. "Tecnicamente, ele tentará acumular realizações para entrar na história. Mas isso depende da estratégia que adotar", disse.

O presidente gastou tempo e energia contornando problemas surgidos no governo de Bush: a crise financeira e a recessão que se seguiu, as guerras do Iraque e do Afeganistão, a relação com a China, os conflitos entre palestinos e israelenses.

Na política interna, Obama conseguiu aprovar, quando ainda tinha maioria no Congresso, a reforma no sistema de saúde, que obriga todo cidadão a ter um plano como meio de garantia de assistência universal. Para Mann, porém, Obama ainda precisa colocar em prática as políticas nas quais se empenhou.

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