Economia e segurança são temas-chave

O narcotráfico e o desemprego são as duas principais questões das eleições presidenciais mexicanas. A guerra aos cartéis promovida pelo presidente Felipe Calderón já deixou mais de 50 mil mortos desde 2006 e a sensação de insegurança da população tem crescido, dizem analistas. A crise econômica jogou a taxa de desemprego no país para 25% da população economicamente ativa.

O Estado de S.Paulo

13 Maio 2012 | 03h04

"Em razão da ação do tráfico, as forças públicas, às vezes, não conseguem trazer uma sensação de segurança ao cidadão comum", avalia o cientista político Carlos Lugo, da Universidade Ibero-Americana.

Os principais cartéis do México, como o de Sinaloa e os Zetas, controlam a rota de cocaína da região andina da América do Sul para os EUA, o principal mercado consumidor do planeta. Enrique Peña Nieto, candidato do Partido da Revolução Institucional (PRI), propõe a criação de uma força-tarefa, sob supervisão civil, da Marinha e do Exército, para combater os cartéis.

"Nosso objetivo, no longo prazo, é aumentar a participação civil nas lutas contra os cartéis, ainda que eu não aceleraria esse processo", disse Peña Nieto no debate de domingo.

O esquerdista Andrés Manuel López Obrador contesta as ações de Calderón contra o tráfico, que têm por base a militarização do confronto. O candidato, derrotado pelo presidente nas eleições de 2006, admite no entanto que não há muitas alternativas ao confronto direto com os cartéis.

O narcotráfico não tem feito ameaças diretas envolvendo as eleições, ainda que extraoficialmente se especule que em nível regional alguns candidatos sejam patrocinados pelos cartéis. "O tráfico gosta de tranquilidade para fazer seus negócios", comenta Lugo.

Economia. A maior prejudicada pelo insucesso de Calderón na luta contra os cartéis e a má situação da economia é a candidata de seu partido, Josefina Vázquez Mota. "A candidata do governo é afetada também pelo alto índice de percepção de decadência no México", afirma o analista.

Altamente dependente da economia americana, que ainda patina para se recuperar da crise financeira mundial, o México tem tido resultados incipientes. Em 2011, o PIB cresceu 3,9%, uma desaceleração na comparação com o crescimento de 5,5% de 2010. Desde fevereiro, no entanto, o respaldo a Peña Nieto tem caído. De 53% das intenções de voto, conta hoje com 34%. López Obrador cresceu de 21% para 23,4%. Josefina recuou de 26% para 22% e Ernesto Quadri apareceu como quarta força, com 8%. / L.R.

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