Economia palestina está à beira da ruína, diz ONU

Conflitos entre grupos políticos e isolamento imposto por Israel ampliam dependência da ajuda externa e aprofundam a pobreza nos territórios

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2031 | 00h00

A economia palestina está à beira do colapso, cada vez mais dependente da comunidade internacional e quase toda controlada por Israel. O alerta é da ONU, que ontem divulgou um relatório sobre a economia dos territórios ocupados que aponta para uma queda de 6,6% do PIB, em 2006.Segundo o documento, os conflitos entre os diferentes grupos palestinos e, principalmente, os constantes bloqueios impostos por Israel às cidades palestinas causaram prejuízos de US$ 8,4 bilhões desde 2000 - que levaram a economia palestina a encolher cerca de 30% desde 1998.A infra-estrutura dos territórios está destruída. A crise é agravada pela falta quase total de contato comercial entre Gaza e Cisjordânia e pelas barreiras israelenses. O bloqueio impediu que as autoridades palestinas coletassem cerca de US$ 1,2 bilhão em impostos e taxas nos últimos cinco anos.O impacto social da crise é considerado ''''profundo'''' pela ONU. A renda per capta dos palestinos caiu em 15% em 2006 e o desemprego já chega a 30% da população. Mais da metade dos palestinos, 53%, vive com menos de US$ 1 por dia, uma taxa considerada ''''sem precedentes'''' desde o início do conflito israelense-palestino.A situação de ''''calamidade'''' nos territórios está causando ainda uma dependência cada vez maior da ajuda externa. Os palestinos são obrigados a importar quase tudo que consomem, principalmente de Israel. Não por acaso, o controle israelense sobre a economia palestina é praticamente total. O déficit na balança comercial palestina, por exemplo, é de 70% de seu PIB.A ONU sugere que as doações internacionais não sejam interrompidas e pede mais espaço para que as autoridades palestinas adotem políticas econômicas. Segundo o levantamento, os palestinos precisam urgentemente de US$ 900 milhões apenas para pagar salários e fazer o que resta do serviço público funcionar.Entre as recomendações, a ONU sugere maior foco no comércio, com novas rotas para escoar produtos para os mercados árabes e de Israel. Mas para isso, acordos de transporte terão de ser fechados com Tel-Aviv. Outra recomendação é a de diversificar a economia local, algo quase impossível diante do conflito com Israel.POBREZA EM NÚMEROS30% de retraçãoda economia palestina foram registrados desde 199853% dos habitantesvivem com menos de US$ 1 por dia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.