''Economist'' cobra posição firme de Lula

Para revista, brasileiro tem de defender a democracia com mais determinação

AP, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

A revista britânica The Economist - uma das mais conceituadas do mundo - cobrou ontem em editorial uma posição mais firme do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com relação à defesa da democracia e dos direitos humanos. "O governo Lula tem demonstrado um enigmático desrespeito pela democracia e pelos direitos humanos fora das fronteiras brasileiras", disse a revista. "O chanceler Celso Amorim argumenta que condenações feitas por países ricos de abusos cometidos por países pobres são tendenciosas e ineficazes. Mas grupos de defesa dos direitos humanos se queixam que, na ONU, o Brasil tem se aliado a países como China e Cuba para proteger regimes abusivos."Para exemplificar a crítica ao presidente brasileiro, a Economist citou o fato de Lula ter se precipitado e felicitado o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por sua vitória logo após as eleições presidenciais de junho. Embora haja fortes indícios de fraude, Lula menosprezou os protestos de opositores em Teerã, chamando as manifestações de "choro de perdedor". "Não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos", disse Lula na ocasião. "Acima de tudo, o Brasil precisa decidir o que realmente defende e quem são seus aliados de fato - ou então arriscar que outros façam essa escolha por ele", disse o editorial da revista, que não poupou também a reação brasileira ao acordo militar entre EUA e Colômbia."Apenas os paranoicos interpretam isso como uma ameaça à Venezuela ou à Amazônia. Mesmo assim, o Brasil preferiu expressar preocupação quanto às bases e permanecer em silêncio sobre a compra de armas de Chávez e sobre as evidências de que ele tem repassado armamento para as Farc", disse a Economist. "A melhor maneira de evitar um conflito na região é não confundir democratas com autocratas e traçar uma linha clara em favor da democracia, sistema que permitiu que um torneiro mecânico chegasse ao poder e mudasse o Brasil."

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