Jason Connolly / AFP
Jason Connolly / AFP

Economist: O Partido Democrata assume o controle da Câmara dos Representantes

Sua vitória põe fim às esperanças do presidente Donald Trump de promulgar mais legislação conservadora

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2018 | 05h00

Depois de dois anos de controle republicano unificado, a divisão no governo está retornando a Washington. Nas eleições de meio de mandato que podem ser consideradas as mais importantes na memória recente, o Partido Democrata ganhou uma maioria confortável na Câmara dos Deputados dos EUA. Embora os números exatos ainda não tenham sido finalizados, os democratas precisavam de 218 assentos para reconquistar a presidência, e devem terminar com cerca de 230. Sua vitória põe fim às esperanças do presidente Donald Trump de promulgar mais legislação conservadora durante a segunda metade de seu mandato.

Isso também prepara as condições para um turbilhão de investigações do Congresso sobre as transações comerciais de Trump, a administração de agências federais de seu gabinete e o suposto conluio entre sua equipe de campanha presidencial e agentes russos. A maioria democrata também poderia iniciar um processo de impeachment contra Trump, embora isso não seja sensato, já que o Senado não fará o mesmo. Nancy Pelosi, líder do partido na câmara, descartou um esforço para derrubar o presidente por enquanto.

Do outro lado do Capitólio, eram os republicanos que festejavam, pois expandirão sua atual maioria de 51-49 no Senado em algo em torno de dois a quatro assentos. A variedade das disputas no Senado este ano favoreceram fortemente o partido: dos 35 assentos levados à eleição, apenas nove eram ocupados por republicanos, e cinco democratas em exercício estavam nas urnas nos estados que Trump ganhou por dois dígitos em 2016. Ainda assim, os democratas esperavam que sua grande vantagem em popularidade total este ano pudesse permitir que tais senadores vulneráveis continuassem, e as pesquisas sugeriram que apenas um deles enfrentou uma clara condição desfavorável.

No final, no entanto, havia muito DNA republicano em grande parte desses estados para os candidatos democratas ultrapassarem. Heidi Heitkamp, de Nevada, Joe Donnelly, de Indiana, e Claire McCaskill, do Missouri, foram todos derrotados. A Flórida também continuou a favorecer os republicanos, já que Rick Scott, o atual governador republicano, derrotou o titular Bill Nelson em menos de um ponto percentual.

Com espaço extra para respirar no Senado, Trump provavelmente será capaz de obter a confirmação de seus indicados se decidir substituir membros de seu gabinete, ou se outro lugar na Corte Suprema ficar vago. As vitórias republicanas também tornarão extremamente difícil para os democratas retomar o Senado em 2020, deixando-os com pouca esperança de implementar promessas de campanha, mesmo que reconquistem a presidência.

Em disputas acirradas para governadores estaduais, as eleições trouxeram uma decisão dividida. Os democratas ficaram desapontados na Flórida e na Geórgia, onde o partido indicou candidatos negros abertamente progressistas para concorrer contra os conservadores brancos e populistas que Trump apoiava nas primárias republicanas. A corrida da Flórida já fora considerada necessária para os republicanos e, na Geórgia, o candidato republicano tem 51% dos votos. No entanto, os democratas reivindicaram uma vitória excepcional em Wisconsin, onde um lote de cédulas de cédulas contadas tardiamente colocou o titular de dois mandatos Scott Walker em uma desvantagem de um ponto percentual.

Eles também derrotaram Kris Kobach, um linha-dura anti-imigração próximo de Trump, no Kansas, e conquistaram o governo de Nevada. E por margens maiores, eles ficaram com as mansões dos governadores em Michigan, Novo México e Maine. Combinados com seus ganhos nas legislaturas estaduais, os democratas acrescentaram “trifetas” (três vitórias) - significando o controle do governo e as duas câmaras da legislatura - em Nova York, Illinois, Novo México, Colorado, Maine e Nevada, e terminaram as republicanas em Michigan, Nova Hampshire, Kansas e Wisconsin.

Além da conseguir a reconquista da Câmara, as melhores notícias para os democratas foram provavelmente os resultados das iniciativas de votação em nível estadual. Missouri, Michigan e Colorado aprovaram referendos delegando a elaboração de distritos legislativos a comissões não-partidárias, e os eleitores na Flórida atingiram o limite de 60% para aprovar uma iniciativa que restaurou o direito de votar em criminosos que cumpriram suas sentenças de prisão. Idaho e Nebraska também votaram para participar da expansão do Medicaid, o programa federal de saúde para pessoas com menos de 65 anos, que foi a peça central da reforma do sistema de saúde do ex-presidente Barack Obama. Montana e Utah também podem fazê-lo.

Os democratas estavam ansiosos em antecipar as eleições deste ano desde o dia em que perderam as eleições presidenciais de 2016. Quando comparadas com as vitórias do partido de oposição em 2006, 2010 e 2014, a derrota do partido em cadeiras e derrotas no Senado em algumas disputadas corridas para governadores pode deixar seus fiéis decepcionados. No entanto, há um ano, os mercados de apostas apenas deram à oposição uma chance de 50% de voltar a ocupar a câmara. A participação dos democratas em todos os votos para a Câmara deve ser tão grande ou maior do que nas eleições anteriores. O monopólio republicano sobre o poder federal está prestes a terminar, e a supervisão do poder executivo pelo Congresso retornará para valer. / Tradução de Claudia Bozzo

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