Economista brasileiro prevê "respingos" da crise argentina

A crise argentina terá reflexos limitados a problemas na área de crédito entre importadores e exportadores e aos atrasos no cumprimento de compromissos de pagamento anteriormente assumidos, no Brasil. A avaliação é de Paulo de Albuquerque, presidente do Comitê de Economia da Câmara Americana de Comércio de São Paulo, acrescentando ser ?bastante provável que alguns respingos dos problemas argentinos caiam sobre nossas cabeças?. Segundo ele, ?além de vizinhos, somos parceiros no comércio internacional?. Para Albuquerque, a Argentina deve ser ajudada porque é ?o parceiro mais importante do Brasil no Mercosul"."Além do interesse puramente econômico, em que precisamos proteger as transações comerciais bilaterais, temos que contribuir de alguma forma para a redução das manifestações públicas, cujo germe poderá contaminar, em maior ou menor grau, alguns segmentos de países vizinhos, inclusive do Brasil?, diz ele, ?Nessa ajuda, inclui-se um pedido especial formal do governo Brasileiro ao FMI, para que proceda a um socorro especial à Argentina, fora dos padrões e normas usuais.? A moratória (suspensão do pagamento da dívida externa pública) foi necessária, diz o economista. ?Sem uma pausa, não haveria condições de negociação, e muito menos de cumprimento de obrigações anteriormente contratadas.?Nova política monetáriaAlbuquerque diz que a Argentina tem de buscar uma nova abordagem em sua política monetária, possivelmente com desvalorização ou troca de moeda, com prévia mudança na Constituição. Ele acrescenta que ?nesse caso, a união de todos os argentinos em torno de uma causa comum é fundamental, com a finalidade de evitar um problema ainda maior?.O economista observa que a criação de incentivos para o crescimento da economia deve ser medida prioritária, via financiamento ao setor privado e ?até com alguma redução na carga tributária, porém com um componente adequado de eliminação da sonegação fiscal?. A partir dessas medidas, a economia poderá voltar a crescer com o aumento do emprego e do consumo, com repercussão positiva nas contas públicas, segundo Albuquerque.O economista defende também o ?aperfeiçoamento e a dinamização do sistema bancário, além da implementação de controles cambiais pelo Banco Central argentino?, com a finalidade de evitar ?a deterioração das contas externas que já vem ocorrendo com as dificuldades observadas no balanço de pagamentos do país?.Leia o especial

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