Ecstasy danifica áreas-chave do cérebro, diz pesquisa

Uma pesquisa publicada na última edição da revista Science afirma que o uso do ecstasy - oumetilenodioximetanafetamina (MDMA) - em doses consecutivas durante um curto período, mesmo que por uma única noite, pode causar danos severos ao cérebro.Em experimentos realizados com macacos, os cientistas comprovaram pela primeira vez que a droga pode danificar neurônios do sistema de dopamina, que ajuda no controle demovimentos e regula o sentimento de prazer. Até então, sabia-se que o ecstasy atuava apenas sobre os neurônios de serotonina, um outro tipo de neurotransmissor, responsável pelo controle deapetite, sede e regulação de temperatura.O experimento é o primeiro a avaliar os efeitos do ecstasy em um modelo de consumo semelhante ao observado entre os jovens, segundo o pesquisador George Ricaurte, coordenador do trabalhona universidade Johns Hopkins. Os macacos receberam de duas a três doses da droga, com intervalos de três horas entre cada uma. Foi o suficiente para danificar entre 60% e 80% dosneurônios dopaminérgicos do corpo estriado, região do cérebro que contém a maior parte desse sistema.Segundo Ricaurte, a droga não mata as células, mas destrói as terminações nervosas. "Ainda não sabemos como isso ocorre e se os danos são permanentes", disse o pesquisador. Os efeitosforam observados até seis semanas após a ingestão da droga.Se a droga tiver o mesmo efeito em seres humanos -essa parte do estudo está em andamento -, o consumo do ecstasy poderia levar a uma condição de "parkinsonismo", com sintomas semelhantes ao mal de Parkinson. Mas o problema só apareceriacom o passar da idade, à medida que os níveis de dopamina diminuem naturalmente.Alguns efeitos imediatos do ecstasy são bem conhecidos. Por atacar o sistema serotoninérgico, a droga eleva a temperatura do corpo acima de 40º C, causa perda de apetite, boca seca, rangerdos dentes e tensão nos músculos da mandíbula. No estudo de Ricaurte, dois macacos morreram de hipertermia após a segunda dose da droga. O MDMA pode ainda causar insuficiência renal,arritmia cardíaca, convulsões, trombose, ataques de pânico, depressão e até morte súbita, além de outras complicações.A doutora Julia A. Holland, uma psiquiatra da faculdade de medicina da universidade de Nova York, criticou a pesquisa de Ricaurte - que recebe fundos governamentais -, assinalando que o estudo não levou em conta que o ecstasy poderia ajudar no tratamento de algumas enfermidades mentais.

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