Chris Radburn/AP
Chris Radburn/AP

Ed Miliband, o nerd que derrotou o irmão para tentar ser premiê

Hábil articulador político, líder do Partido Trabalhista é o principal adversário do premiê Cameron nas eleições gerais

Fernando Nakagawa, Correspondente / Londres, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 11h01

LONDRES - Hábil articulador político e tido como anticapitalista pelos empresários, Ed Miliband tem 45 anos e é líder do Partido Trabalhista desde 2010. Admite ser um nerd em matemática, mas a política é o tema que sempre o rodeou. Filho de um pai marxista e uma mãe militante, começou na vida pública na esteira do irmão, David. Por anos, esteve à sombra do Miliband mais velho. O jogo virou em 2010, quando Ed derrotou David após quatro turnos das eleições primárias. Desde então, vive para chegar ao posto máximo da política britânica.

Edward Samuel Miliband é filho de um casal de poloneses judeus que migrou para a Inglaterra durante a 2ª Guerra. Quando criança, Ed era rodeado por política, já que os rumos do país eram um dos temas preferidos dos pais, o intelectual marxista Ralph e a professora Marion, e dos amigos que frequentavam a casa da família no norte de Londres.


Miliband estudou Filosofia, Política e Economia no prestigioso Corpus Christi College, na Universidade de Oxford. Lá, Ed - que na época preferia o apelido Ted - começou na vida política. Na primavera de 1991, liderou uma greve dos estudantes contra o aumento do aluguel dos alojamentos. "Foram as quatro semanas favoritas na universidade", dizia aos amigos. "A política sempre me motivou mais que a academia." 

Após ver algumas entrevistas na televisão, chega-se à conclusão de que o principal líder da oposição britânica é um político menos carismático que a média. Com uma voz característica e comumente flagrado em poses curiosas em fotografias, Ed é frequentemente comparado com o divertido Wallace da animação Wallace e Gromit. Miliband faz troça das piadas. Já disse que durante a juventude não era "legal o suficiente" para namorar algumas moças e era "quadrado demais" para usar drogas. Ele também não esconde o apreço pelo cubo mágico, aquele brinquedo dos anos 80, e a capacidade de resolvê-lo em menos de 100 segundos. 

Logo após a universidade, ingressou no Partido Trabalhista, onde passou a fazer pesquisa e a escrever alguns discursos. Enquanto o irmão David já era secretário de Estado do governo de Tony Blair, Ed foi eleito pela primeira vez em 2005. A chegada à Câmara dos Comuns ocorreu quatro anos após a primeira eleição do irmão mais velho. No governo Gordon Brown, Ed foi nomeado para a Casa Civil e depois para a secretaria de Energia e Mudanças Climáticas. David, o irmão mais velho, era responsável pela pasta de Relações Exteriores.

Foi então que Ed demonstrou o valor de sua habilidade política. No gabinete de Gordon Brown, ficou conhecido pela capacidade de apaziguar os ânimos em direção ao consenso. Até então, era tido como o "outro Miliband" - já que David era mais importante e conhecido. Em 2010, os dois irmãos disputaram as eleições primárias. Em uma disputa de 14 candidatos, foram realizados quatro turnos e os dois Miliband chegaram à final. Ed derrotou o irmão por diferença de 1,3% dos votos. 

Amigos dizem que a relação entre os dois irmãos nunca mais foi a mesma. Após a derrota, David se afastou gradualmente da vida política até que em 2013 anunciou que deixaria o país para presidir o Comitê Internacional de Resgate, uma ONG dos Estados Unidos fundada em 1933 por Albert Einstein para proteger refugiados e vítimas de desastres naturais. Aliados minimizam o episódio ao afirmar que David não era socialmente hábil para a atual disputa. 

Como principal líder da esquerda britânica, Ed Miliband defende temas polêmicos, como a taxação de renda no exterior, imposto sobre mansões e o aumento dos tributos para o setor financeiro. Por isso, é encarado como "anticapitalista" por parte do empresariado. Mas justiça seja feita: ao contrário do principal concorrente, Miliband apoia a permanência dos britânicos da União Europeia. Isso traz um pouco de alívio às empresas que não querem perder o grande mercado do lado de lá do Canal da Mancha.

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