Editor de jornal norueguês pede desculpas por caricaturas

O editor de um pequeno jornal cristão na Noruega pediu desculpas nesta sexta-feira por ter ofendido muçulmanos ao republicar as caricaturas de Maomé em janeiro.Em uma coletiva de imprensa, o editor da publicação Magazinet, Vebjoern Selbekk, disse que se arrependeu de ter veiculado os desenhos na edição de 10 de janeiro, pois não tinha previsto a dor e a revolta que causaria entre os muçulmanos. "Eu me dirijo pessoalmente à comunidade muçulmana para dizer que sinto muito pela violação de seus sentimentos religiosos e que, como editor, eu não soube entender o quão ofensiva foi a publicação das cópias".A publicação evangélico-cristã estava entre os primeiros jornais a republicar as imagens, que haviam sido veiculadas inicialmente no jornal dinamarquês Jyllands-Posten em setembro, defendendo o discurso da liberdade de expressão.As caricaturas, agora largamente publicadas na Europa e no mundo, causaram protestos violentos no mundo muçulmano, incluindo incêndios nas embaixadas da Noruega e Dinamarca na Síria.Selvik pediu desculpas em uma coletiva marcada às pressas, na qual apareceu ao lado do líder do Conselho Islâmico na Noruega, Mohammed Hamdan, e do ministro do trabalho norueguês, Bjarne Haakon Hanssen.O editor do jornal elogiou a comunidade islâmica da Noruega por ter insistido no diálogo ao invés de recorrer à violência em resposta à publicação dos desenhos."A comunidade muçulmana lidou com a questão de uma maneira válida e reservada. Eles merecem ser honrados e respeitados por isso", disse ele.O líder do Conselho Islâmico do país afirmou que o Islã preza valores como o perdão e que Selvik, que já havia recebido ameaças de morte, agora estava sob sua proteção. "Selvik tem filhos da mesma idade dos meus. Eu quero que meus filhos e os filhos dele cresçam juntos e vivam em paz e amizade", concluiu Hamdan.

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