Evan Vucci / AP
Evan Vucci / AP

Editor do ‘NYT’ diz que linguagem do artigo anônimo que critica Trump pode revelar autor

James Dao garante que conhece a identidade de quem escreveu o texto e está completamente seguro de sua veracidade; presidente volta a criticar livro do jornalista Bob Woodward e afirma que obra é uma ‘fraude’

O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 09h18

NOVA YORK, EUA - O editor do jornal The New York Times, James Dao, que se encarregou de publicar um artigo anônimo na quarta-feira, 5, o qual afirmava que um grupo de funcionários de altos cargos da Casa Branca trabalha conjuntamente para limitar os danos da presidência de Donald Trump, afirmou que a linguagem utilizada no texto pode revelar a identidade do autor.

O editorial desencadeou uma onda de polêmicas nos EUA e lançou muitas perguntas sobre quem é o autor do texto, que afirmou ser um alto funcionário do governo americano, mas quis permanecer no anonimato para poder continuar em seu posto.

Em entrevista ao podcast produzido diariamente por seu próprio jornal, Dao confirmou que não mudou as palavras do artigo, e admitiu que é possível que algumas caraterísticas linguísticas possam "revelar tudo".

O jornalista garantiu que conhece a identidade do autor do texto e está completamente seguro de sua veracidade. Contudo, ele se negou a dar qualquer detalhe sobre como entrava em contato com ele ou quando foram iniciadas as conversas que levaram à publicação do artigo.

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As respostas de Dao foram divulgadas depois que surgiram várias especulações de que era o próprio vice-presidente dos EUA, Mike Pence, quem tinha escrito a carta crítica ao governo de Trump pelo uso da palavra "lodestar".

Este vocábulo, que poderia ser traduzido como "estrela-guia" ou "inspiração", não é de uso habitual, mas nos últimos dias foi possível ver nas emissoras americanas imagens de vários discursos nos quais Pence o utiliza.

O vice-presidente, no entanto, se apressou em negar que era o autor do texto. O diretor de comunicação de Pence, Jarrod Agen, disse em um tuíte que ele "põe seu nome em seus artigos de opinião".

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Livro de Woodward

Na manhã desta sexta-feira, 7, Trump voltou a criticar o livro Fear: Trump in the White House (Medo: Trump na Casa Branca, em tradução livre), do jornalista investigativo Bob Woodward, que traz uma série de alegações polêmicas sobre o governo do republicano.

“O livro do Woodward é uma fraude. Não falo do jeito que fui citado. Se falasse, não teria sido eleito presidente. Essas citações foram inventadas. O autor usa todos os truques no livro para rebaixar e depreciar. Gostaria que as pessoas pudessem ver os verdadeiros fatos”, disse Trump em sua conta no Twitter.

O presidente chegou a sugerir na quarta-feira que o Congresso mude as leis de difamação no país. "Não é uma vergonha que alguém possa escrever um artigo, ou um livro, inventar histórias e formar uma imagem da pessoa que é literalmente o oposto do fato, e sair impune disso sem retaliação ou custo?", escreveu Trump na rede social. "Não sei por que os políticos de Washington não mudam as leis de difamação", acrescentou.

No livro, cujo lançamento está marcado para o dia 11, Woodward retrata a Casa Branca de Trump como uma "casa de loucos" nas mãos de um presidente raivoso e desequilibrado, cujos assistentes tentam o tempo todo evitar que ele leve o país a uma guerra.

Em outras mensagens publicadas, o republicano negou que tenha chamado o secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions, de “mentalmente retardado” e “um sulista idiota”. O mandatário disse que “nunca usou esses termos sobre ninguém, incluindo Jeff”, acrescentando que “ser um sulista é uma ótima coisa”. / EFE, AFP e AP

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