Editora do 'Granma' foge para os EUA, dizem opositores cubanos

Mairelys Gómez teria ido a reunião no México, mas seguiu a Miami; ela seria 4ª jornalista a fugir de Cuba em menos de 1 ano

MIAMI, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h07

Uma das editoras do jornal cubano Granma, histórico órgão oficial do Partido Comunista de Cuba (PCC), fugiu e estaria vivendo há cerca de uma semana em Miami. A informação foi divulgada em sites de grupos anticastristas da Flórida e, até ontem à noite, o diário da ilha socialista não havia se pronunciado sobre a suposta fuga da jornalista.

Mairelys Cuevas Gómez teria recebido autorização da direção executiva do jornal e da cúpula do governo de Havana para realizar uma viagem de trabalho ao México, onde participaria de um evento sobre imprensa. Do território mexicano, porém, Mairleys, de 27 anos, teria seguido clandestinamente para os Estados Unidos, onde se encontrou com um suposto namorado e agora solicitará asilo territorial.

Segundo informações divulgadas por sites e blogs de Miami, a jornalista trabalhava como uma espécie de censora dos textos publicados no Granma. Mairleys lia as reportagens e artigos de opinião e decidia se eles se adequavam ou não às regras impostas pelo regime - a imprensa cubana é fortemente controlada pelo Estado. Se ela estivesse de acordo, mandava-os para a impressão.

Um blog de Miami crítico ao governo cubano, o Café Fuerte, afirma ter conversado com pessoas próximas à jornalista. Mairelys teria sido contactada, mas supostamente recusou conceder uma entrevista.

Os blogueiros citaram um funcionário do Instituto Cubano de Radio y Televisión (ICRT) "familiarizado" com a suposta fuga da jornalista. "O que está ocorrendo é um escândalo", disse a fonte. "Ela tinha um namorado secreto e eles se encontraram em Miami, onde ele vive."

Uma outra pessoa identificada como "amiga" da jornalista afirmou que a relação amorosa apenas "ampliou" a vontade de Mairelys de partir de Cuba. "Conheço ela desde pequena e sei que estava descontente com o regime cubano, com os maus-tratos e a miséria a que são submetidos os cubanos."

Série de fugas. Se confirmada, a decisão da jornalista de abandonar o regime soma-se a outras debandadas recentes entre jovens cubanos. Em agosto, a editora de esportes do Juventud Rebelde, diário da Juventude do Partido Comunista (JPC), pediu asilo enquanto cobria a Olimpíada de Londres. Em julho, um outro jornalista, que havia trabalhado para a Agencia Cubana de Noticias, Daniel Benítez, buscou abrigo em Miami.

Em outubro, durante os Jogos Pan-Americanos em Guadalajara, no México, outros dois jornalistas cubanos decidiram deixar de vez a ilha. O fotógrafo Daniel Anaya, do Instituto Nacional de Esportes, e Damián Averhoff, editor da revista Bohemia, escaparam da delegação cubana.

Cuba vive um momento especialmente delicado nos últimos dois anos. O presidente Raúl Castro tenta implementar várias reformas para liberalizar a economia. / EFE

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