Editores do NYT pedem demissão após escândalo

O editor-executivo, Howell Raines, e o editor-administrativo, Gerald Boyd, do New York Times se demitiram hoje após um escândalo de plágio envolvendo um de seus repórteres.No dia 11 de maio, o NYT anunciou que Jayson Blair, um repórter de 27 anos, cometeu fraudes na apuração e redação de matérias que enviava ao jornal. Ele dizia escrever reportagens em outras cidades quando, na verdade, estava em Nova York, falsificava fala de entrevistados e plagiava textos de outros jornais. A iniciativa do NYT foi inédita na história do jornal e a matéria que denunciou Blair ocupou mais de quatro páginas.A conduta de Blair somente foi descoberta após um jornal do Texas acusar o repórter do jornal nova-iorquino de copiar partes de uma reportagem e abriu uma crise no jornal.Após a demissão de Blair, Richard Bragg, correspondente do jornal de Nova Orleans pediu demissão ao ser revelado pelo próprio "Times" que ele utilizou a reportagem de um free-lancer para fazer uma matéria sobre pescadores de ostras na Flórida. A nota do NYT sugeria que Bragg omitiu de seus editores a participação do free-lancer na matéria. Bragg, para se defender, disse que é rotineira a utilização de free-lancers para apurar reportagens, causando indignação de outros colegas de redação.Na carona da polêmica, o concorrente "Washington Post" publicou uma troca de emails raivosos entre dois jornalistas do "Times". John Burns, vencedor do prêmio Pulitzer e chefe do escritório em Bagdá, acusou a colega Judith Miller, especialista em terrorismo, de entrevistar Ahmed Chalabi, líder da oposição iraquiana, sem avisa-lo.A partir da revelação dos escândalos a situação de Raines com os repórteres e editores começou a se deteriorar. Raines e Boyd receberam críticas sobre as sucessivas promoções que Blair recebeu ? passando de estagiário a repórter de Nacional em 4 anos. Em uma reunião tensas com outros jornalistas Raines foi obrigado a justificar sua manutenção à frente do jornal, dizendo que tinha o apoio do diretor do jornal, Arthut Sulzberg.Raines ainda anunciou a contratação de 20 jornalistas para aliviar o trabalho na redação e a nomeação de uma comissão para reavaliar a política de promoção, plano de carreira e avaliação interna. Raines deixa o jornal com 12 Pulitzer, cores em sua edição, novas editorias e a expansão de sua circulação nacional. Joseph Lelyveld, ex-diretor executivo do jornal, assumirá interinamente o cargo.

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