Edmund Hillary, pioneiro do Everest e empenho pelo Nepal

O neozelandês Edmund Hillary,primeiro homem a escalar o Everest, que morreu aos 88 anosnesta sexta-feira, era considerado um dos maiores aventureirosdo século 20, mas será lembrado também por suas décadas deempenho pelo povo do Nepal. "Para mim, ele foi o maior aventureiro do século 20", disseà Reuters o milionário, filantropo e aventureiro australianoDick Smith, que já deu a volta ao mundo sozinho numhelicóptero. Após escalar o Everest com o sherpa Tenzing Norgay, em1953, Hillary buscou outras grandes aventuras no Himalaia e naAntártida, onde chegou ao Pólo Sul de trator. Mas Hillary nunca esqueceu o povo nepalês, que o ajudou ase tornar mundialmente famoso. Seu Fundo Himalaio arrecadacerca de 250 mil dólares por ano, e ele pessoalmente ajudou naconstrução de escolas, hospitais, pontes, dutos e até de umapista de pouso. "Acendi candeeiros e ofereci preces por sua reencarnaçãocomo ser humano", disse em Katmandu Ang Rita Sherpa, 60 anos,que foi amigo de Hillary e trabalhou durante 23 anos com ele ecom o Fundo Himalaio. "Muita gente da etnia sherpa ofereceu preces particulares,enquanto muitos outros estão realizando serviços especiais nosmonastérios", disse ele, acrescentando que haverá uma cerimôniaem Katmandu, capital do Nepal, país asiático onde fica oEverest. Ao anunciar sua morte, a primeira-ministra da NovaZelândia, Helen Clark, disse: "o lendário montanhista,aventureiro e filantropo é o neozelandês mais conhecido que jáviveu. Mas acima de tudo ele era a quintessência dos 'kiwis'(apelido dos habitantes do país). "Ele era nosso -- desde a sua aparência rude e seu estilolacônico até sua honestidade e caráter direto. Era um colosso.Era uma figura heróica que não só derrotou o Everest, comoviveu uma vida de determinação, humildade e generosidade." A conquista da montanha mais alta do mundo, em 1953,encantou o mundo e fez do ex-apicultor Hillary uma celebridademundial, um dos maiores aventureiros do planeta. "Foi uma coisa inovadora, tentar descobrir se o corpohumano poderia mesmo sobreviver naquelas altitudes naquelaépoca", disse Andrew Lock, que já escalou duas vezes o Everest. "Ele era simplesmente o tipo de montanhista para o qualtodos os outros montanhistas olhavam como sendo o pico absolutoda escalada adequada e ética", acrescentou. Os amigos mais íntimos disseram que a morte de Hillary nãoé uma surpresa, mas será uma grande perda para o miserávelNepal. "Infelizmente, não era inesperada", disse Elizabeth Hawley,historiadora do alpinismo. "Mas ainda assim é uma perdaterrível para toda a sua família, para amigos e para o povosherpa." O chefe da missão neozelandesa na Antártida, Lou Sanson,disse que a bandeira do país foi hasteada a meio-mastro nasexta-feira na base Scott, que Hillary fundou há 51 anos, e queo clima é de "muito abatimento" ali. (Reportagem adicional de Gopal Sharma em Katmandu)

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