Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

Eduardo Bolsonaro, o chanceler de facto do Brasil

Na Casa Branca, terceiro filho de presidente Jair Bolsonaro recebeu elogios públicos do presidente Donald Trump por seu trabalho

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 22h22

O terceiro filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) assumiu o posto de chanceler informal do governo durante a viagem do pai aos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 19, na Casa Branca, Eduardo recebeu uma série de deferências públicas do presidente americano, e Donald Trump, de quem é um entusiasta.

Primeiro, Eduardo foi convidado por Trump para participar da reunião privada entre os dois presidentes, no Salão Oval da Casa Branca. A praxe é que o encontro se limite aos dois líderes e respectivos tradutores, quando é o caso. No entanto, desta vez, o filho do presidente brasileiro se juntou aos dois. 

A jornalistas, Bolsonaro disse que Trump convidou Eduardo para o encontro porque ele “tem amizade” com um dos filhos do americano. Em novembro, o terceiro filho do presidente brasileiro fez uma espécie de viagem precursora aos Estados Unidos, na qual se encontrou com integrantes do governo americano.

O chanceler Ernesto Araújo tentou reduzir a importância da participação de Eduardo no encontro entre os dois presidentes. Ele disse que sua participação não estava prevista no encontro e afirmou que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o seu equivalente, também não estava no encontro. Pompeo está em viagem oficial ao Oriente Médio. 

Depois do encontro e almoço na Casa Branca, os dois líderes partiram para uma declaração à imprensa no Rose Garden. Lá, de novo, Trump falou sobre Eduardo. “Eu vejo no público o filho do presidente, que tem sido fantástico. Você poderia se levantar? O trabalho que você tem feito durante um período duro é apenas fantástico. Eu sei que seu pai aprecia isso. Muito obrigado. Trabalho fantástico”, disse Trump, enquanto Eduardo se levantou e acenou para os jornalistas presentes. 

Nos outros momentos, o deputado gravava, pelo celular, um vídeo dos dois presidentes fazendo o anúncio aos jornalistas. Depois de deixar a Casa Branca, Bolsonaro foi questionado por jornalistas se levava do encontro alguma decepção com relação a Trump. 

“Nenhuma decepção. A minha sinalização positiva a Trump ocorria desde as primárias, comecei minha pré-campanha logo depois de 2014, eu vim aos EUA depois, comecei a conversar com gente do terceiro escalão do governo”, disse Bolsonaro, mencionando na sequência a deferência de Trump a Eduardo com o convite para participar do encontro no Salão Oval.

Também foi Eduardo quem acompanhou o presidente na visita à CIA, agência de inteligência americana, juntamente com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. No tempo livre, o deputado e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara acompanhava Filipe Martins, assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, em agendas paralelas com integrantes do governo americano e de movimentos conservadores do país.

O encontro entre Trump e Bolsonaro teve “descontração e gargalhadas”, segundo o brasileiro. Bolsonaro fez piada com a idade da mulher de Trump, Melania, dizendo ao americano que ele era “jovem” pois “temos a idade da mulher que amamos”. Melania é mais de 20 anos mais nova do que o presidente.

No Salão Oval, os dois presidentes trocaram camisetas de futebol. Trump presenteou Bolsonaro com uma camiseta da seleção de futebol dos EUA, com o número 19 e o nome do Bolsonaro escrito atrás. Já Bolsonaro deu uma camisa da seleção brasileira com o número 10, fazendo uma referência a Pelé. A camiseta amarela tinha o nome de “Trump” escrito nas costas.

Eduardo Bolsonaro não é o único filho do presidente a aparecer na linha de frente do governo. Mesmo sem ocupar cargo no Executivo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) discursou nesta terça-feira, 19, em nome do pai, na 53.ª Convenção da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Segundo a entidade, o presidente foi convidado, mas como estaria em viagem aos Estados Unidos indicou o filho para representá-lo. 

Como o senador não integra o Executivo, o Estado perguntou à Abras o motivo da presença do parlamentar no lugar do presidente. A resposta oficial da entidade foi que Bolsonaro escolheu o filho senador para representá-lo. Questionada novamente nesta terça-feira, 19, a Abras alegou que houve um erro do cerimonial que organizava o evento: pai e filho tinham sido convidados. 

O desmentido ocorreu um dia depois de o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o mais jovem entre os políticos do clã, ter sido criticado nas redes sociais por ter ido a Brasília para, segundo ele, desenvolver “linhas de produção” solicitadas pelo pai. 

Embora não seja deputado nem ocupe cargo no governo, Carlos “despachou” na Câmara dos Deputados e no Palácio do Planalto, relatando seus compromissos na capital federal nas redes sociais. “Em Brasília. Dentre muito o que conversar com amigos deputados federais e desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo presidente Jair Bolsonaro”, escreveu na segunda-feira, no Twitter, Carluxo, como ele é conhecido. / COLABOROU DANIELA AMORIM 

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