Efeito eleitoral do câncer de Chávez é incerto

Analistas estimam que doença pode ser usada em benefício do líder venezuelano em 2012

Roberto Lameirinhas, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2011 | 00h00

Analistas venezuelanos estão divididos em relação ao efeito que a doença do presidente Hugo Chávez exercerá sobre a campanha pela reeleição em novembro de 2012.

O próprio Chávez, que retornou à Venezuela na segunda-feira após um mês de ausência - depois de ter-se submetido a duas cirurgias em Cuba para a retirada de tumores cancerígenos - assegura que o tratamento não o retirará da disputa e descarta a possibilidade de entregar a candidatura presidencial a outro membro de seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

"Partindo-se do princípio de que o presidente reunirá condições físicas para assumir a campanha presidencial, é possível que a doença de Chávez se converta em uma arma importante para que ele reverta a situação de queda de popularidade que os institutos de pesquisa vinham demonstrando nos últimos meses", disse ao Estado Rafael Villas, professor da Universidade Central. "Tradicionalmente, Chávez fundamenta sua retórica em elementos da simbologia venezuelana. E o símbolo do líder que sempre retorna - em desafio não só aos inimigos, mas também às limitações do câncer - remete a Simón Bolívar (herói da independência e inspirador de Chávez), que combateu adversários políticos e a tuberculose, uma doença extremamente grave no século 19, que acabou levando-o à morte, aos 46 anos."

As pesquisas mais recentes refletem tendências verificadas antes de a informação da doença de Chávez vir à tona. A sondagem do instituto Datanálisis, do começo de junho, feita com 1.300 pessoas, mostrava que a popularidade do presidente estava no patamar dos 50% - nível parecido com o de vários estudos diferentes -, mas apenas 36% dos entrevistados consideravam que ele deveria ter o mandato renovado em 2012. O presidente do Datanálisis, Luis Vicente León, assegurava na semana passada, após a volta do líder ao país, que não há como prever, até o momento, as consequências eleitorais da doença. León disse que outros fatores políticos, como a demora da oposição em apontar seu candidato, deverão ter feitos tão ou mais importantes do que o câncer de Chávez. "Os números de junho mostraram que Chávez estava perdendo a conexão com a população, mas mesmo assim ainda era prematuro prognosticar como evoluiriam até a eleição", afirmou.

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