'Efeito viúva' amplia vantagem kirchnerista

O clima de compaixão que setores da população argentina sentem pela presidente Cristina Kirchner, cujo marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morreu após um ataque cardíaco fulminante em outubro, causou o que vem sendo chamado de "efeito viúva" nas pesquisas de opinião, aumentando a popularidade da presidente.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Em quase todos os discursos que proferiu desde a morte do marido, Cristina fez constantes alusões a Néstor. Ostentando rigorosa vestimenta escura em sinal de luto, ela sempre fez questão de ressaltar que o ex-presidente marcou seu caminho político.

"Estamos vendo um espetáculo de circo, um ato fictício. É óbvio que Cristina Kirchner está mentindo quando chora na frente dos pobres. O vestido preto é parte de uma cena semiótica. O luto é parte do disfarce", disse Elisa Carrió, uma das candidatas presidenciais da oposição.

Mariel Fornoni, da consultoria de opinião Management & Fit, afirmou ao Estado que o "efeito viúva" deveria começar a diluir-se por causa de todos os escândalos de corrupção que apareceram. Segundo Fornoni, "a presidente continuará utilizando o nome do ex-presidente em seus discursos".

A analista sustenta que os casos de corrupção afetam a imagem de Cristina. No entanto, o cientista político Carlos Fara discorda, afirmando que o "efeito viúva" já passou. As pessoas não votam mais por condolências".

Os diversos escândalos de corrupção envolvendo integrantes e ex-integrantes do governo Kirchner não teriam suficiente impacto para derrotar Cristina nas urnas em outubro.

De acordo com analistas, a recuperação econômica - subsidiada amplamente pelo Estado argentino - seria o fator crucial para que os escândalos atuais tenham pouco peso político atualmente.

Os possíveis candidatos da oposição são Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical (UCR), Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, o socialista Hermes Binner, os peronistas dissidentes Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá, além do trotskista Jorge Altamira, irmão de Luis Favre, ex-marido da senadora Marta Suplicy.

No entanto, apesar de algumas negociações, os diversos candidatos não conseguiram formar alianças para enfrentar o governo Kirchner. Segundo Fornoni, a oposição continuará fragmentada. "A realidade é que ainda não deram mostras de poder articular-se", afirma Fornoni.

Fara também não acredita na possibilidade de uma coalizão. "Não acho que a oposição se unirá. Houve várias tentativas de coalizões, todas fracassadas. Não imagino Binner e Carrió fazendo uma aliança com a UCR", disse.

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