Egípcio conservador critica assistir ao futebol

No auge da Copa do Mundo, um clérigo egípcio ultra-conservador disse que assistir a jogos de futebol era inaceitável no Islã, porque é uma distração e "destrói nações".

Agência Estado

15 de junho de 2014 | 16h21

Yasser Borhami, membro fundador do principal movimento salafista no Egito, o Chamado Salafista, disse que perder tempo assistindo aos jogos era "um desastre que me deixa muito bravo". Ele disse que ver as partidas era uma distração dos deveres religiosos e mundanos, levando, em última instância, à "destruição das nações e dos povos".

Sua opinião religiosa, ou pronunciamento, que foi publicado no site do grupo em um

vídeo neste sábado, diferem significativamente da sabedoria convencional de que as competições esportivas globais, como a Copa do Mundo, servem para promover a amizade e compreensão entre as nações do mundo.

No entanto, em vez de proibir inteiramente assistir às partidas de futebol, Borhami disse que há condições que as tornam contrárias aos preceitos islâmicos: distrair dos deveres religiosos, revelar partes do corpo que alguns muçulmanos acreditam que deveriam ser cobertas, ou fazer com que muçulmanos amem e apoiem os "incrédulos". E, segundo ele, partidas de futebol geralmente atendem a todas essas condições.

Perguntado por um apresentador de TV que é um fã de futebol no canal egípcio privado CBC sobre sua opinião, Borhami a reiterou, mas de maneira mais suave. "Eu só disse ''não perca seu tempo''." Segundo ele, suas palavras tinham sido retiradas do contexto por aqueles ansiosos para atacá-lo por razões políticas.

Borhami, cujo grupo já foi um defensor da Irmandade Muçulmana, que subiu ao poder no Egito depois da revolta de 2011, se tornou seu crítico mais tarde, acusando-o de dominar o poder político. Borhami e seu grupo depois apoiaram os protestos populares contra a Irmandade.

Esse apoio tem custado a perda de muito de seu apoio entre sua base, especialmente dos islâmicos conservadores mais jovens. Aliás, o seu mais recente pronunciamento não deve ajudar a retomar qualquer apoio da juventude, num país onde o futebol é

o esporte nacional favorito.

Fonte: Associated Press

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