Egípcio põe fogo em si mesmo no centro do Cairo

Um egípcio ateou fogo em si mesmo hoje do lado de fora do Parlamento do Egito. O protesto parece imitar a atitude que um tunisiano desempregado tomou no mês passado e que ajudou a dar início a um levante popular na Tunísia.

AE, Agência Estado

17 de janeiro de 2011 | 12h38

Integrantes das forças de segurança egípcias disseram, em condição de anonimato, que policiais que fazem a guarda do prédio do Parlamento no centro do Cairo e motoristas que passavam usaram extintores de incêndio e rapidamente apagaram o fogo. O porta-voz do Ministério da Saúde, Abdel-Rahman Shahine, disse que o homem foi levado ao hospital com queimaduras leves, a maioria no rosto, pescoço e pernas.

O homem foi identificado pelas forças de segurança como Abdou Abdel-Monaam Hamadah, de 48 anos, proprietário de um pequeno restaurante em Qantara, área perto da cidade de Ismaília, na região do Canal de Suez, a leste do Cairo. Segundo os oficiais, a atitude de Hamadah foi um protesto contra a política do governo que impede que proprietários de restaurantes comprem pão a preços subsidiados para a revenda.

Um pão tipicamente egípcio é vendido por cerca de 1 centavo de dólar, mas custa cinco vezes mais para os proprietários de restaurantes. Hamadah pediu aos policiais que fazem a guarda do Parlamento para falar com o presidente da casa, Fathi Sorour. Ao ter seu pedido recusado, ele deu um passo para trás, retirou uma garrafa com gasolina do bolso, jogou o líquido no corpo e ateou fogo. Segundo o site do jornal egípcio Al-Ahram, Hamadah tem quatro filhos e já teve várias discussões com funcionários do governo por causa da questão do preço do pão.

A atitude de Hamadah segue-se à do tunisiano Mohamed Bouazizi, de 26 anos. Com formação universitária, ele ateou fogo ao próprio corpo depois que a polícia confiscou as frutas e vegetais que vendia por falta de licença. Posteriormente, ele morreu num hospital perto de Túnis, mas seu ato deu início a uma série de distúrbios que resultaram na queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali.

No sábado, outro protesto semelhante foi realizado na Argélia. Segundo o jornal La Liberté, o homem de 37 anos ateou fogo ao próprio corto numa vila perto da fronteira com a Tunísia e morreu horas mais tarde no hospital. As informações são da Associated Press.

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