Ahmed Omar/AP
Ahmed Omar/AP

Egípcios aprovam com ampla margem Constituição formulada após golpe

Sob boicote de grupos islamistas e críticas de observadores internacionais, eleitores dão mais de 90% dos votos ao ‘sim’, segundo autoridades

O Estado de S. Paulo,

17 de janeiro de 2014 | 01h06

CAIRO - Egípcios que foram às urnas durante dois dias votaram em massa em favor da nova Constituição, indicam informações iniciais. Autoridades eleitorais e imprensa estatal egípcia apontavam que mais de 90% dos votos foram pelo "sim", num referendo que mede o apoio ao golpe que derrubou o presidente islamista Mohamed Morsi, em julho.

O resultado coloca o general Abdel-Fattah al-Sisi como favorito em eleições presidenciais programadas para este ano, possivelmente em abril. A Constituição proíbe grupos religiosos como a Irmandade Muçulmana, à qual pertencia Morsi, de participar da política.

A votação ocorreu em meio a um forte clima de exaltação patriótica, com bandas militares diante de centros de votação. Jornalistas estrangeiros foram detidos ao registrar imagens de eleitores e observadores internacionais criticaram a repressão do governo interino, instituído pelos militares, contra opositores.

A Irmandade organizou um boicote contra o referendo. Ontem, o grupo afirmou que, de acordo com seus "monitores" nas seções de votação, o comparecimento às urnas foi o mais baixo desde a queda do ditador Hosni Mubarak. Autoridades eleitorais estimaram a participação em 55%, dado contestado pela oposição. Nabil Salib, chefe do Comitê Supremo Eleitoral, disse em entrevista a uma TV local que as cédulas estavam sendo contadas.

O primeiro-ministro do governo interino, Hazem el-Beblawi, exaltou os eleitores que apoiaram a nova Constituição. "Aqueles que foram pelo ‘sim’ disseram ‘sim’ à construção e ‘não’ a todos aqueles que querem a destruição", disse. A violência nos dois dias de votação deixou pelo menos onze mortos. Universitários entraram em conflito com forças de ordem ontem no centro do Cairo.

O referendo ocorreu em meio à intensa campanha na imprensa, majoritariamente favorável aos militares, pela nova Constituição - cuja aprovação seria fundamental para a segurança e estabilidade do Estado egípcio. A nova Carta é uma reformulação da adotada em 2012 na presidência da Irmandade.

Elaborado por um conselho de 50 membros de inclinação secular, o documento veta a discriminação com base religiosa, preserva a igualdade de gêneros e assegura uma série de liberdades e direitos.

A Carta também blinda militares de um controle civil e concede proteções adicionais ao Judiciário, ainda dominado por figuras vinculadas ao regime de Mubarak. O presidente passará a ter um mandato de quatro anos, renovável uma vez. A religião oficial do Estado continua a ser o Islã, mas sem dar à sharia peso determinante. / AP

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