Egípcios aprovam em peso reforma da Constituição

Alterações votadas no referendo de sábado devem agilizar as eleições no país, após 30 anos da ditadura

, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

CAIRO

A reforma da Constituição do Egito foi aprovada por 77,2% dos eleitores em um referendo realizado no sábado. A votação teve uma participação de 41% - isto é, 18,5 milhões de pessoas. Cerca de 14 milhões de egípcios optaram pelo "sim", e 4 milhões pelo "não" (22,8%).

Os defensores da reforma esperam que as mudanças constitucionais sejam suficientes para agilizar as eleições parlamentares e presidenciais. Assim, a administração militar, no poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, poderia voltar rapidamente um governo civil, eleito pelo povo.

Serão alterados sete artigos da Constituição e um oitavo será removido. Os críticos das emendas argumentam que a realização apressada de eleições no país impede que os partidos disponham do tempo necessário para se organizar.

Para estes, o ideal seria que o legislativo fosse eleito antes do novo presidente, para que a antiga Constituição, concebida na década de 70 e alterada diversas vezes, pudesse ser totalmente reescrita. Mas, como demonstra o resultado do referendo, o povo quer que as eleições ocorram logo.

O referendo foi convocado apenas duas semanas antes da votação. As emendas foram redigidas por um comitê judicial designado pelas forças militares, que tomaram o poder no mês passado.

O resultado deve favorecer a Irmandade Muçulmana e dissidentes do partido do ex-presidente Hosni Mubarak. Uma reforma mais profunda daria mais tempo para que os oposicionistas se fortalecessem política e eleitoralmente.

Hosni Mubarak manteve-se no poder por 30 anos e foi derrubado em 11 de fevereiro, depois de uma grande revolta popular iniciada em 25 de janeiro. A permanência do ditador no poder ficou inviável depois que manifestantes foram atacados durante os protestos, como se fossem inimigos de guerra. / AP e REUTERS

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