Egípcios fazem protesto contra candidato ligado a Mubarak

Milhares de ativistas se reuniram na sexta-feira na praça Tahrir, no Cairo, para um protesto contra o candidato presidencial Ahmed Shafik, um ex-militar que foi primeiro-ministro no extinto regime de Hosni Mubarak.

PATRICK WERR, REUTERS

08 de junho de 2012 | 18h57

Parte dos manifestantes na praça apoiava o rival de Shafik no segundo turno da eleição presidencial, Mohamed Mursi, da Irmandade Islâmica, mas outros expressavam sua frustração por precisarem optar entre dois candidatos que não estavam ligados à revolução popular que derrubou Mubarak no ano passado.

"Antes de mais nada, há sangue entre nós e ele. Se o elegermos, estamos elegendo o antigo regime", disse Ahmed Mustafa, 39 anos, lutador desempregado de kung-fu, que diz ter sido ferido por balas de borracha disparadas pelas forças de segurança durante a rebelião de 2011.

Shafik, ao contrário de Mursi, não foi à praça. Mas, numa entrevista coletiva em um hotel cinco estrelas da periferia cairota, ele estendeu a mão à juventude egípcia, prometendo manter a Tahrir como um espaço para a liberdade de expressão. Disse ainda que manterá a Internet livre de censura, e que vai gerar empregos.

"Digo à juventude para não temer. Vocês estarão livres para protestar, e vou proteger a liberdade do uso da Internet", afirmou ele a centenas de seguidores, num palanque montado no gramado do hotel.

O segundo turno da eleição presidencial, em 16 e 17 de junho, marca o apogeu de uma longa e tensa transição política dominada pelas Forças Armadas. A posse do novo presidente está prevista para 1o de julho.

Na sexta-feira, ativistas da Irmandade Islâmica fizeram panfletagem em frente a mesquitas, convocando os simpatizantes para participarem da "Sexta-Feira da Perseverança" na praça.

Muitos participantes da revolução de 2011 veem a Irmandade com desconfiança, temendo que o grupo tente impor restritivas leis islâmicas. Eles também criticam o grupo por ter renegado sua promessa anterior de não disputar a Presidência e de limitar sua presença no Parlamento. A Irmandade formou a maior bancada parlamentar nas eleições do começo do ano.

A nova onda de protestos na praça Tahrir foi desencadeada pela conclusão, no sábado passado, do julgamento de Mubarak e de outros membros do antigo regime por corrupção e por envolvimento na morte de manifestantes durante a rebelião. Mubarak foi condenado à prisão perpétua, e muitos jovens queriam que ele fosse sentenciado à morte. Seis membros do antigo regime foram absolvidos.

(Reportagem adicional de Tamim Elyan e Marwa Awad)

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