Asmaa Waguih/ Reuters
Asmaa Waguih/ Reuters

Egípcios mantêm protestos e dão ultimato para renúncia de Morsi

Ao menos quatro ministros renunciam em apoio a manifestantes; 16 pessoas morreram no país

O Estado de S. Paulo,

01 de julho de 2013 | 11h12

CAIRO -Um dia depois dos maiores protestos da história do Egito, quando milhões de pessoas tomaram as ruas para exigir a renúncia do presidente Mohamed Morsi, a oposição deu um ultimato para ele deixar o poder. Manifestantes contrários ao governo invadiram e saquearam o escritório do Partido Justiça e Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana no Cairo, e prometem voltar às ruas na tarde de hoje. Até agora, 16 pessoas morreram. Quatro ministros renunciaram aos cargos.

Os organizadores dos protestos, que reúnem egípcios seculares, cristãos, esquerdistas e islâmicos moderados, deram um prazo para Morsi renunciar até as 17h de amanhã, no horário local. Hoje à tarde, os egípcios devem voltar às ruas. O movimento, chamado de Rebelião, também pediu que a polícia e o Exército expressem com clareza seu respaldo aos protestos.

Milhões de pessoas saíram às ruas ontem contra Morsi e a Irmandade Muçulmana. Primeiro presidente eleito democraticamente na história do país, o líder egípcio é acusado pela oposição secular de tentar impor uma agenda religiosa no país, com base na sharia, a lei islâmica, além de ter se tornado cada vez mais autoritário e de não ter colocado a agonizante economia egípcia nos eixos.

O desemprego aumentou e chegou a 13,2%. O turismo, principal fonte de renda do país, ainda não se recuperou e o número de turistas estrangeiros continua 40% abaixo do que havia antes da queda do ditador Hosni Mubarak, em 2011.

Em sua maioria, as manifestações foram pacíficas. Houve confronto nos arredores do escritório do PJL, no Cairo. Armados, partidários de Morsi se entrincheiraram no edifício e atiraram nos manifestantes, que responderam com bombas incendiárias e pedras. Na manhã de hoje, o prédio foi invadido e saqueado. Móveis, arquivos e equipamentos foram destruídos e uma bandeira do Egito foi hasteada no local.

Segundo o Ministro da Saúde Yehya Moussa, 16 pessoas morreram e 781 ficaram feridas no domingo. Na sexta e no sábado, outras quatro tinham morrido, entre elas um estudante americano.

A onda de protestos já provoca baixas no gabinete de Morsi. Quatro ministros egípcios renunciaram hoje. A fonte não deu uma razão, mas a agência estatal de notícias havia informado mais cedo que os ministros estavam considerando deixar seus cargos em solidariedade aos manifestantes.

Entregaram os cargos os ministros do Turismo, Hisham Zaazou; da Comunicação e Tecnologia da Informação, Atef Helmi; de Assuntos Jurídicos e Parlamentares, Hatem Bagato; e de Assuntos Ambientais, Khaled Abdel-Al. / AP, EFE e REUTERS

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