Khaled Desouki/AFP
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Egípcios protestam contra governo militar no Cairo

Objetivo da manifestação é aumentar pressão aos generais para que entreguem poder para civis

AE, Agência Estado

20 de abril de 2012 | 13h24

CAIRO - Dezenas de milhares de manifestantes lotaram nesta sexta-feira, 20, a praça Tahrir, no centro do Cairo, na maior manifestação dos últimos meses contra o governo militar. O objetivo do protesto é aumentar a pressão aos generais para que entreguem o poder para os civis e impeçam que ex-integrantes do regime participem das eleições presidenciais, marcadas para maio.

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Tanto islamitas quanto liberais compareceram ao protesto para mostrar a raiva generalizada em relação aos militares por causa do caos político no país antes da primeira eleição presidencial desde a queda de Hosni Mubarak, mas de um ano atrás.

Muitos egípcios suspeitam que os generais que estão no poder desde a saída de Mubarak estão manipulando o processo para garantir seu poder, assegurar a vitória de candidatos ligados pró-militares e evitar reformas.

"Abaixo o governo militar", gritavam os manifestantes. Faixas espalhadas por toda a praça condenavam candidatos vistos como remanescentes do regime de Mubarak.

Mas a multidão na praça Tahrir estava dividida entre grupos rivais que apresentavam reclamações e objetivos diferentes. Por isso, os participantes não conseguiram chegar a uma lista unificada da exigências.

Grupos liberais e de jovens pediram que todas as facções chegassem a um acordo sobre um candidato "antimilitar" para a presidência, mas a poderosa Irmandade Muçulmana e outros grupos islamitas, que têm suas próprias ambições na corrida presidencial, se recusaram a assinar o acordo.

Outra poderosa força representada na praça eram os ultraconservadores salafistas, um movimento islâmico que é ainda mais linha-dura do que a Irmandade. Muitos deles estão furiosos com a desqualificação de seu candidato, Hazem Abu Ismail, que foi proibido de concorrer porque sua mãe tinha cidadania norte-americana.

A eleição presidencial está marcada para os dias 23 e 24 de maio. O novo presidente será anunciado em 21 de junho. O conselho militar prometeu transferir o poder para uma administração civil eleita no início de julho.

As informações são da Associated Press.

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