Egípcios protestam contra proposta de Constituição

Uma multidão tomou nesta sexta-feira a Praça Tahrir, na região central do Cairo, em protesto contra o projeto de Constituição aprovado mais cedo pelo painel incumbido de elaborar uma nova Carta magna para o Egito. Organizadores estimaram em mais de 200 mil o número de pessoas presentes na Praça Tahrir. Dezenas de milhares de egípcios também saíram às ruas de Alexandria e outras cidades do país.

AE, Agência Estado

30 de novembro de 2012 | 18h13

Os protestos começaram horas depois de o Painel Constituinte do Egito ter aprovado na manhã desta sexta-feira um rascunho de Constituição, que será levada a referendo, para substituir a Lei magna egípcia que vigorou durante a ditadura de Hosni Mubarak. O anúncio foi feito pelo deputado Hossam el-Ghiriani.

A Assembleia, dominada pelos islamitas, aprovou os 234 artigos em uma maratona de 16 horas que começou na quinta-feira e avançou pela madrugada de hoje. O documento foi redigido nos moldes da Constituição da era Mubarak, mas com ênfase maior no aspecto religioso.

Os aliados do presidente Mohammed Morsi aceleraram a aprovação da proposta em meio a temores de que o Judiciário tente dissolver a Assembleia Constituinte em uma reunião prevista para o fim de semana.

A Assembleia Constituinte passará agora o documento a Morsi e, segundo deputados constituintes, ele será submetido a um referendo nacional dentro de até duas semanas.

O Painel Constituinte passou a ser dominado por islamitas após deputados cristãos e seculares terem se retirado em protesto contra menções à lei islâmica (sharia) incluídas na Constituição. Os delegados que abandonaram a assembleia foram substituídos por políticos religiosos.

Grupos laicos, de esquerda e nacionalistas, acusam o governo da Irmandade Muçulmana - o primeiro eleito democraticamente no Egito - de tentar impor leis religiosas e retomar os poderes ditatoriais de Mubarak, deposto no início do ano passado. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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