Amr Nabil/AP
Amr Nabil/AP

Egípcios protestam contra um ano de governo militar

Manifestantes aproveitam aniversário da queda da ditadura para pressionar Exército

Reuters

10 de fevereiro de 2012 | 16h38

CAIRO - Milhares de egípcios marcharam até o Ministério da Defesa nesta sexta-feira, 10, a fim de exigir que os generais entreguem o poder, um dia antes de uma greve convocada por ativistas para marcar o primeiro aniversário da queda do presidente Hosni Mubarak.

 

O Egito permanece em um turbilhão político um ano depois de o conselho militar assumir o poder das mãos de Mubarak, quando as manifestações populares forçaram o fim de seu governo de 30 anos.

Embora não tenha se envolvido nos protestos, a Irmandade Muçulmana pediu que um governo de coalizão substitua o militar e criticou a atitude do governo no caso de violência no estádio de futebol de Port Said, onde ao menos 74 pessoas morreram.

"O povo quer a derrubada do marechal", cantaram os ativistas durante a marcha no Cairo, referindo-se ao marechal-de-campo Mohamed Hussein Tantawi, que está à frente do conselho do Exército.

"Estamos aqui para dizer a Tantawi a ao conselho militar que entreguem o poder. Esta é uma marcha pacífica e permanecerá como tal", disse a ativista Sara Kamel. "Desde que os generais subiram ao poder, eles não fizeram nada pelo Egito e eles querem dar continuidade ao legado de Mubarak."

Unidades do Exército bloquearam o acesso ao Ministério da Defesa, onde os muros de um lado do complexo foram pintados para esconder o grafite dos ativistas. "Parabéns pela nova pintura. Abaixo o governo militar", lia-se em uma pichação no muro.

As autoridades religiosas do Egito pediram que os sindicatos e grupos de jovens descartem os planos para uma onda de greves destinada a forçar o Conselho Supremo das Forças Armadas a deixar o poder, dizendo que o povo precisa mostrar compromisso para com a nação e poupar a economia.

Jovens ativistas ignoraram os pedidos, cantando "desobediência civil é legítima, desobediência civil contra a pobreza e a fome", enquanto algumas pessoas saudavam os manifestantes a partir dos terraços e outras criticavam o grupo por atrapalhar o trânsito.

O Exército mobilizou soldados extras e tanques para proteger os prédios estatais e a propriedade pública em meio aos preparativos de greve. A proposta colocou em evidência as profundas divisões entre os liberais e os grupos de jovens de esquerda de um lado e o Exército, os políticos islâmicos e os líderes religiosos de outro.

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