Egípcios se reúnem em favor de candidato salafista

Cairo, 06 - Milhares de pessoas realizaram um protestos no centro do Cairo nesta sexta-feira em apoio a Hazem Abu Ismail, candidato salafista à presidência do Egito que pode ser retirado da disputa porque sua mãe tinha cidadania norte-americana.

Agência Estado

06 de abril de 2012 | 12h39

Pela lei eleitoral do país, todos os candidatos à presidência, seus pais e esposas devem ter apenas cidadania egípcia.

"As pessoas querem Hazem Abu Ismail! Não à manipulação!", gritavam os manifestantes após caminharem pelo centro do Cairo até a praça Tahrir, epicentro do levante de 2011 que derrubou o presidente Hosni Mubarak.

Os manifestantes, dentre os quais havia mulheres vestidas com o véu islâmico, carregavam fotografias de Abu Ismail e levantavam os braços em condenação às tentativas de desqualificação do candidato.

Abu Ismail lançou sua candidatura em 30 de março com uma grande carreata que terminou na sede da comissão eleitoral, no Cairo.

O chefe da comissão, Hatem Begato, disse na quinta-feira que a agência havia recebido informações que a mãe de Ismail "havia usado um passaporte norte-americano para viajar para e a partir do Egito" antes de morrer.

Arquivos serão examinados nos dias 12 e 13 de abril e qualquer candidato que não se enquadrar nos requisitos será informado, disse a comissão. Os recusados terão 48 horas para fazer uma apelação, antes do anúncio da lista final de candidatos, em 26 de abril.

Abu Ismail defende uma rígida interpretação do Islã, semelhante à praticada na Arábia Saudita, e se tornou uma figura conhecida no Cairo, já que pôsteres seus adornam muitos carros e micro-ônibus.

A eleição presidencial de maio vai marcar o início da entrega do poder pelos militares e a eleição de um líder civil, após o levante que derrubou Mubarak.

Abu Ismail deve concorrer com candidatos islamitas mais moderados, como Khairat El-Shater, da Irmandade Muçulmana, assim como pessoas ligadas ao antigo regime como Amr Mussa, que foi ministro de Relações Exteriores.

Os islamitas fizeram grandes avanços desde a queda de Mubarak, conquistando a maioria nas duas casas do Parlamento.

O Partido da Liberdade e da Justiça, braço política da Irmandade Muçulmana, conquistou a maior parte dos assentos nas eleições parlamentares no início do ano, mas os salafistas conseguiram, sozinhos, quase um quarto das cadeiras. As informações são da Dow Jones. (Priscila Arone)

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